Declarações de "Curió", servidor da autarquia e apoiador do ex-prefeito Bocalom, geram forte repercussão nas redes sociais sobre critérios de cobrança e conduta funcional.

Rio Branco, AC – Uma forte polêmica tomou conta das redes sociais em Rio Branco envolvendo o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (SAERB). Mensagens atribuídas a um servidor da autarquia, amplamente conhecido na cidade como "Curió" — irmão do também servidor Frank Lima e conhecido apoiador político do ex-prefeito Tião Bocalom —, geraram indignação entre os usuários do sistema de saneamento básico.

Nas postagens feitas em grupos de mensagens, o servidor defendeu publicamente que os consumidores que possuem ligações de água tratada pelo SAERB e que estão inadimplentes ou fora do padrão ideal de medição deveriam ter seus nomes negativados em órgãos de proteção ao crédito, como o SPC e o Serasa. O argumento utilizado por ele gira em torno da cobrança realizada com base na "média de consumo".

Indicação de compra de hidrômetros no comércio local

Além de sugerir a negativação dos moradores de Rio Branco, o servidor "Curió" afirmou nas redes sociais que qualquer cidadão que desejar regularizar sua situação e instalar um hidrômetro em sua residência pode fazê-lo por conta própria. Segundo a declaração do funcionário, basta o usuário procurar o "Mira Shopping" para adquirir o equipamento de medição.

Contradição, ligação política e indícios de irregularidade

O ponto que mais causou repercussão e questionamentos legais, no entanto, foi a admissão do próprio servidor sobre a sua situação pessoal. Nas mesmas interações, "Curió" revelou que também não possui hidrômetro instalado em sua casa e que optou por continuar pagando a conta de água com base na estimativa da média de consumo.

O servidor chegou a afirmar textualmente que poderia ter instalado o aparelho medidor em sua residência, mas que escolheu deliberadamente não o fazer, preferindo o modelo de taxação por média.

A declaração acendeu um alerta jurídico e administrativo na capital. Por se tratar de um funcionário do próprio órgão fiscalizador e distribuidor, além de ser uma figura politicamente ativa e ligada à gestão do ex-prefeito Bocalom, a escolha consciente de pagar por estimativa — sabendo da plena disponibilidade de hidrômetros no mercado e na própria rede — pode configurar desvio de conduta funcional ou, em tese, benefício indevido (uma vez que o consumo real pode ser muito superior à taxa média cobrada). O caso deve ser alvo de apuração pelos órgãos competentes do município.

Por Hedislandes Gadelha - DRT 4499/PB


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