Por Hedislandes Gadelha
O Departamento de
Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) tem um novo maestro à frente de sua
complexa partitura administrativa. Engenheiro civil por formação, o novo
diretor carrega no currículo uma bagagem profissional que, nos últimos anos,
esteve muito mais sintonizada com os palcos do que com os canteiros de obras.
Velho conhecido das noites acreanas como integrante da banda de rock Camundogs,
ele agora assume a missão de reger um dos setores mais críticos e cobrados pela
população: a infraestrutura rodoviária e os esquecidos ramais do estado.
A grande questão que ecoa
nos bastidores da política e das comunidades rurais é: com a infraestrutura do
Acre pedindo socorro, a gestão dos nossos ramais será tratada com a seriedade
técnica necessária ou vai virar um ensaio de forró na base do improviso?
Orçamento na Míngua: De
R$ 90 Milhões para R$ 15 Milhões
Se o desafio técnico já é
gigantesco, o arranjo financeiro deixado pela gestão da governadora Mailza
Assis parece uma sinfonia de notas desafinadas. Em governos anteriores, o
Deracre chegou a operar com um orçamento robusto de cerca de R$ 90 milhões para
investimentos e manutenção — uma quantia que permitia, mal ou bem, colocar
máquinas na pista e dar vazão às demandas do homem do campo.
Hoje, a realidade é de
vacas magras. O novo diretor terá que fazer milagre com apenas R$ 15 milhões em
caixa. Uma redução drástica que estrangula a capacidade de atuação da autarquia
e coloca em xeque a execução de qualquer cronograma sério de recuperação de
estradas.
A Dança das Cadeiras e os
Acordes Políticos Recônditos
Para além da falta de
recursos, o que chama a atenção nos bastidores são as controversas alianças
políticas que ditaram as recentes nomeações no órgão. A indicação do novo
diretor-geral, segundo fontes, carrega a digital do empresário e pré-candidato
a deputado federal Rueda, evidenciando o uso da máquina pública como moeda de
troca eleitoral em detrimento de escolhas estritamente técnicas.
Para completar o arranjo
confuso deste governo, a Diretoria de Ramais — setor vital para o homem do
campo — está sob o comando de Pedro Valério. O nome do diretor ganhou os
holofotes nacionais recentemente por um motivo bombástico: ele é apontado como
o pivô que entregou áudios à revista Metrópoles com denúncias que atingiam
diretamente o próprio irmão de Rueda.
É um cenário paradoxal e
de extrema desconfiança mútua, onde quem indica, quem fiscaliza e quem executa
dividem a mesa sob o eco de fogo amigo e traições políticas, ditando um ritmo
tenso nos bastidores da autarquia.
A Dura Realidade dos
Ramais: O Povo Não Quer Show, Quer Trafegabilidade
Enquanto a cúpula do
governo se perde em indicações políticas polêmicas e tenta ajustar o som com o
orçamento reduzido, os produtores rurais e moradores que dependem dos ramais do
Acre continuam sofrendo o mesmo drama de sempre: isolamento, lama no inverno e
poeira sufocante no verão. Os ramais, que deveriam ser as veias de escoamento
da nossa produção agrícola, estão em situação calamitosa.
A transição da guitarra e
do rock da Camundogs para o pesado maquinário do Deracre exigirá mais do que
carisma; exigirá jogo de cintura político e precisão cirúrgica para esticar
cada centavo dos R$ 15 milhões disponíveis em meio a uma equipe cercada de
polêmicas. O público do interior do estado não quer saber de "bater
cabeça" em buraco de estrada ao som de promessas desafinadas ou brigas de
bastidores. O que o Acre precisa, urgentemente, é de engenharia de verdade, e
não de um arranjo de última hora.
Resta saber se a nova
gestão vai conseguir colocar o Deracre no ritmo do desenvolvimento ou se o povo
do Acre vai continuar dançando conforme a música de um governo que encolheu as
verbas e inflou as incertezas políticas.

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