Investigação que apura esquema em unidades de saúde entra na fase final; celulares de idoso e de servidor público são peças-chave para desfecho do inquérito.
Rio Branco, AC — A
Polícia Civil do Acre entrou na fase final da investigação que apura um
megaesquema de desvio de medicamentos e insumos hospitalares. O prejuízo
estimado aos cofres públicos chega a R$ 10 milhões. Seis meses após a
deflagração da operação, os investigadores aguardam a conclusão de laudos
periciais nos celulares apreendidos para identificar os possíveis receptadores
dos produtos e encerrar o inquérito.
De acordo com o delegado
responsável pelo caso, o foco atual está nos relatórios extraídos dos aparelhos
de dois dos principais suspeitos: um idoso de 74 anos, apontado como o operador
de uma farmácia clandestina, e um servidor público.
"A análise das mensagens, ligações e registros desses telefones será fundamental para definir os próximos passos e identificar quem adquiria os materiais retirados ilegalmente da rede pública", explicou o delegado.
O caso segue sob segredo
de Justiça e, até o momento, não houve novas prisões.
As investigações apontam
que o esquema criminoso pode ter começado a operar em 2023. O desvio foi
descoberto após a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) notar uma
inconsistência grave: o volume de medicamentos adquiridos pelo Estado não era
suficiente para suprir a demanda das unidades de saúde, mesmo com os estoques
teoricamente abastecidos.
A suspeita é de que os
produtos tenham sido retirados ilegalmente de grandes centros médicos da
capital.
O caso ganhou força em
janeiro deste ano, quando a polícia estourou um depósito clandestino na Rua
Eduardo Asmar, na região da Gameleira, Segundo Distrito de Rio Branco. O local
servia como centro de armazenamento de insumos e correlatos.
Antes disso, na residência do principal investigado o idoso de 74 anos, no Residencial Bom Sucesso, os agentes já haviam encontrado materiais de alta complexidade, como medicamentos para o tratamento de câncer e hemodiálise, além de insumos básicos (luvas e gazes) e drogas de uso controlado, como morfina. Na ocasião, também foram apreendidos mais de R$ 20 mil em espécie e moedas estrangeiras.
O idoso foi preso em
flagrante no dia 5 de janeiro, mas obteve liberdade provisória no dia seguinte.
Atualmente, ele responde ao processo monitorado por tornozeleira eletrônica.
Um servidor público da
saúde também está no centro das investigações. A Polícia Civil informou que a
busca e apreensão em seu endereço revelou elementos robustos que reforçaram as
suspeitas de sua participação na facilitação dos desvios dentro das unidades
hospitalares.
Além disso, as
diligências se estenderam à Baixada da Sobral, onde mandados foram cumpridos em
uma clínica. A polícia ainda apura o envolvimento de outros servidores da
Sesacre.
Atualmente, o material
recuperado pela polícia está dividido: parte permanece sob a custódia da
Polícia Civil e outra parte está guardada em um cofre da Sesacre. A expectativa
das autoridades é de que, após a devida autorização judicial e a conclusão das
perícias, os medicamentos e insumos sejam integralmente devolvidos ao Estado
para cumprir sua função original: atender a população acreana.


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