RIO BRANCO, AC – No dinâmico cenário político e administrativo do Estado do Acre, poucos nomes de perfil técnico conseguiram transitar com tanta relevância por pastas de alto escalão nos últimos anos quanto o contador e professor Rômulo Antônio de Oliveira Grandidier. Conhecido pelo rigor contábil e pela capacidade de gestão fiscal, ele tornou-se peça-chave no Poder Executivo acreano, assumindo responsabilidades que foram do equilíbrio das contas públicas à coordenação política e, agora, ao comando das principais estratégias eleitorais de 2026.

O Perfil Técnico e a Chegada à SEFAZ

Formado em Ciências Contábeis pela Universidade da Amazônia e com uma sólida bagagem acadêmica acumulando pós-graduações em Auditoria Interna e Externa, Direito Tributário, Contencioso Fiscal e Gestão de Tributos, Rômulo Grandidier construiu grande parte de sua carreira no Vale do Juruá. Entre 2003 e 2013, atuou como professor universitário e diretor do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Vale do Juruá (Ifac).

Sua entrada definitiva no primeiro escalão do governo ocorreu em agosto de 2020. Após um período de instabilidade na Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), que passou mais de quatro meses sob o comando de gestores interinos na época, a gestão estadual apostou no nome de Grandidier para assumir a titularidade da pasta. Ele trazia o aval de mais de duas décadas de experiência na área econômica, atuando como auditor, consultor e projetista.

O Desafio do Equilíbrio Fiscal e o Teto de Gastos

À frente da Sefaz, Grandidier enfrentou um dos momentos mais delicados da economia local, marcado pelos impactos da pandemia de Covid-19 e por pressões fiscais herdadas de exercícios anteriores. Um de seus principais cavalos de batalha foi a adequação do Estado às exigências da Lei Complementar nº 178/21, voltada ao programa de ajuste fiscal de estados e municípios.

Em agendas diretas com o Tesouro Nacional, em Brasília, Grandidier defendeu o equilíbrio das contas públicas acreanas, buscando mitigar o impacto do teto de gastos e do limite prudencial com pessoal que haviam sido fortemente impactados por novas interpretações do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC) sobre os aportes previdenciários na época.

A Transição para a Casa Civil e a Articulação de Governo

Em novembro de 2021, demonstrando a forte confiança política depositada pelo Palácio Rio Branco, Rômulo Grandidier deixou o comando da Fazenda após um ano e três meses de gestão e foi nomeado para assumir a Secretaria de Estado da Casa Civil.

A mudança representou uma virada em seu papel na administração pública: saindo do isolamento técnico dos números da Sefaz para o epicentro da articulação política e institucional do Estado, coordenando as relações do Executivo com os demais poderes e com os municípios. Mais tarde, na esteira das reestruturações governamentais, Grandidier retornou ao comando da Sefaz, consolidando-se como um dos quadros mais duradouros e de "unidade e confiança" do núcleo governamental.

Resiliência nos Bastidores

A trajetória de Grandidier no governo também foi marcada por momentos de forte pressão nos bastidores políticos. Durante os desdobramentos de investigações que miraram o cenário local, relatórios policiais revelaram que o então secretário chegou a ser alvo de tentativas de chantagem e pressão velada por parte de empresários que buscavam a indicação de cargos de confiança no governo. Na ocasião, as investigações demonstraram a postura firme do secretário em não ceder às investidas, mantendo as agendas institucionais blindadas de interferências espúrias.

Peça-Chave nas Eleições de 2026: Coordenação de Campanha

Consolidando sua transição definitiva de técnico de bastidores a um dos principais articuladores do estado, Rômulo Grandidier assume agora uma das missões mais importantes de sua trajetória pública: ele vai ser nomeado coordenador geral da campanha de reeleição da governadora Mailza Assis ao governo do Estado do Acre nestas eleições de 2026.

A escolha de Grandidier é vista por analistas políticos e aliados como uma somatória de peso para as aspirações eleitorais do grupo governista. Espera-se que sua profunda interlocução com prefeitos, deputados e com o empresariado construída ao longo de seus anos controlando as finanças e a Casa Civil, somada ao seu perfil discreto e habilidade de conciliação, seja uma contribuição estratégica fundamental para dar robustez e unidade à campanha da governadora.


Por Hedislandes Gadelha, DRT- 4499/PB


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