G. A. P., de 16 anos, teve 95% do corpo queimado pelo namorado em Cobija; transferência interestadual ocorreu nesta segunda-feira (13) com o apoio do Instituto Inova.

RIO BRANCO (AC) — Em uma mobilização de urgência que uniu esforços transfronteiriços e solidariedade, a adolescente G. A. P., de 16 anos, embarcou no fim da tarde desta segunda-feira (13) rumo a Belo Horizonte (MG). A jovem, que sofreu queimaduras em 95% do corpo após ser brutalmente incendiada pelo namorado na cidade de Cobija, na Bolívia, passará por um complexo tratamento especializado em uma unidade de referência na capital mineira.

A complexa logística de transferência interestadual foi viabilizada graças ao apoio fundamental do Instituto Inova, organização humanitária sediada em Rio Branco (AC).

O crime, que chocou a fronteira entre o Acre e a Bolívia, ocorreu em Cobija — cidade boliviana vizinha aos municípios acreanos de Brasiléia e Epitaciolândia. De acordo com informações preliminares, a jovem foi atacada pelo próprio companheiro, em um caso brutal de tentativa de feminicídio.

Dada a gravidade extrema do quadro de saúde da adolescente, a estrutura hospitalar local não dispunha dos recursos necessários para o tratamento de queimaduras de tamanha extensão. Diante do risco iminente de morte, iniciou-se uma corrida contra o tempo para garantir uma vaga em um centro de alta complexidade no Brasil.

A transferência de pacientes em estado crítico exige suporte de terapia intensiva móvel (UTI aérea) e uma coordenação burocrática ágil, especialmente por se tratar de uma situação iniciada em solo estrangeiro.

O Instituto Inova, com sede na capital acreana, desempenhou um papel crucial na articulação e no suporte logístico para que o embarque ocorresse ainda na tarde de segunda-feira. A aeronave equipada decolou com destino a Minas Gerais, onde uma equipe multidisciplinar já aguardava a chegada da jovem para dar início aos procedimentos de reconstrução e estabilização clínica.

O estado de saúde de G. A. P. ainda é considerado gravíssimo. Em Belo Horizonte, ela deve passar por processos cirúrgicos delicados, que incluem desbridamento de tecidos e tentativas de enxertia de pele, além de suporte intensivo para as funções vitais.

Enquanto a adolescente luta pela vida em Minas Gerais, as autoridades bolivianas, em coordenação com a polícia de fronteira brasileira, seguem investigando o paradeiro do autor do crime. O caso acende mais uma vez o alerta sobre os alarmantes índices de violência doméstica e feminicídio na região de fronteira.


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