Mais que ampliar a permanência dos estudantes na escola, o ensino integral tem se consolidado como uma ferramenta de transformação social no Acre. Com disciplinas eletivas que aproximam os conteúdos escolares da realidade dos estudantes, a modalidade estimula o desenvolvimento de habilidade, a descoberta de vocações e a construção do projetos de vida, contribuindo também para o avanço dos indicadores educacionais.

Os resultados refletem esse avanço. De acordo com o Censo Escolar 2025, o Acre está entre os dez estados brasileiros com maior percentual de estudantes do ensino médio matriculados em escolas de tempo integral. Atualmente, 28% dos estudantes dessa etapa de ensino estudam nesse modelo, índice superior às médias regional e nacional. Esse crescimento é resultado de uma política pública que vem sendo fortalecida ao longo dos anos e que já alcança dezenas de escolas em diferentes municípios acreanos.

Na Escola Estadual de Ensino Médio José Ribamar Batista (Ejorb), em Rio Branco, uma das pioneiras na implantação do ensino integral, os estudantes vivenciam diariamente experiências que unem teoria, prática e protagonismo juvenil.

Foi justamente em uma dessas experiências que o estudante João Vitor Alves, de 15 anos, encontrou uma nova perspectiva para o futuro. Aluno da eletiva MasterChef da Biologia, ele aprende conceitos científicos por meio da culinária.

Além de despertar o interesse pelos conteúdos, as eletivas também ajudam os jovens a identificar talentos e possibilidades profissionais.

Formação integral e projeto de vida

De acordo com a coordenadora pedagógica da Ejorb, Maria Josiane Bezerra, as disciplinas eletivas são planejadas considerando tanto os interesses dos estudantes quanto as necessidades de aprendizagem identificadas pela escola.

Educação que transforma realidades

O fortalecimento do ensino integral faz parte de um conjunto de políticas educacionais que vêm impulsionando os resultados da educação acreana. Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) colocam o Acre na liderança da Região Norte nos anos iniciais e finais do ensino fundamental. O estado alcançou nota 6,45 nos anos iniciais e 5,16 nos anos finais, consolidando-se entre os melhores desempenhos do país.

Esse crescimento também é percebido na ampliação do acesso à tecnologia, na expansão da conectividade escolar, no fortalecimento do Centro de Mídias Educacionais do Acre (Cemeac), no Pré-Enem Legal e em programas que garantem educação para estudantes das áreas urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas.

Para o secretário de Estado de Educação e Cultura, Reginaldo Prates, a expansão do ensino integral representa um investimento direto no futuro da juventude acreana.

“Quando ampliamos o tempo de permanência dos estudantes na escola, ampliamos também as oportunidades de aprendizagem, de desenvolvimento humano e de construção de projetos de vida. O ensino integral é uma política que transforma trajetórias e contribui diretamente para a melhoria da qualidade da educação”.

Censo Escolar orienta investimentos e amplia oportunidades

Os avanços da educação acreana também passam por uma ferramenta pouco visível para a população, mas fundamental para a construção das políticas públicas: o Censo Escolar. É a partir dos dados coletados anualmente que governos federal, estadual e municipais conseguem identificar necessidades, direcionar recursos e planejar investimentos para melhorar a aprendizagem dos estudantes.

O trabalho realizado pela rede estadual fez do Acre o único estado brasileiro a alcançar 100% da coleta de dados dentro do prazo por sete anos consecutivos, tornando-se heptacampeão nacional do Censo Escolar.

Infraestrutura e conectividade avançam nas escolas acreanas

Os dados do Censo Escolar também evidenciam uma importante evolução da infraestrutura educacional no Acre nos últimos anos.

Entre 2018 e 2025, o percentual de escolas com acesso à água potável passou de 37% para 61%, representando um avanço de 24 pontos percentuais. Nas escolas rurais, o acesso a banheiros saltou de 25% para 70%, ampliando as condições de permanência e bem-estar dos estudantes.

Outro destaque é a conectividade. Em 2018, apenas 6% das escolas rurais possuíam acesso à internet. Em 2025, esse percentual chegou a 33%, resultado de investimentos que vêm reduzindo as distâncias geográficas e ampliando as possibilidades de aprendizagem por meio das tecnologias digitais.

Alimentação escolar reforçada pelo programa Prato Extra

Garantir que os estudantes permaneçam mais tempo na escola também exige investimentos que vão além da sala de aula. Nos últimos anos, o Estado ampliou os recursos destinados à alimentação escolar por meio do programa Prato Extra, criado para complementar os valores repassados pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Mesmo com um aumento médio de 47% nos repasses federais entre 2023 e 2025, os recursos do PNAE ainda não são suficientes para cobrir todos os custos da alimentação escolar. Para assegurar refeições de qualidade aos estudantes, a rede pública estadual realizou um aporte complementar de aproximadamente R$ 360 milhões nos últimos três anos, com investimento médio anual de R$ 120 milhões.

A iniciativa também fortalece a agricultura familiar acreana, gerando renda para produtores locais e garantindo alimentos frescos e nutritivos nas escolas.

“Já são R$ 74 milhões investidos na alimentação escolar por meio de programas que fortalecem a agricultura familiar. Uma alimentação adequada faz toda a diferença no aprendizado dos estudantes”, destacou a governadora Mailza Assis durante a apresentação dos dados educacionais do estado.



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