RIO BRANCO, AC – O que deveria ser o caminho para o progresso tornou-se um teste de paciência e resistência para as dezenas de famílias que residem no Ramal da Galiléia. Localizado na zona rural de Rio Branco, nas proximidades da rodovia AC-40 e da Vila Acre, o ramal vive hoje um cenário de abandono que contrasta drasticamente com o discurso oficial de modernização.

Entre o Barro e o Isolamento

A realidade de quem trafega pela região é marcada por buracos, lamaçais e, mais recentemente, pelo isolamento total. Relatos de moradores indicam que a manutenção preventiva não chega há tempos, mas o golpe mais duro foi a remoção de pontes essenciais para o escoamento da produção e o trânsito de veículos de emergência.

Sem as estruturas de travessia, o ramal foi fragmentado, impedindo o direito básico de ir e vir. "Estamos esquecidos. Prometeram que aqui seria diferente, mas o que vemos é o mato tomando conta e a gente ficando preso dentro da própria comunidade", desabafa um produtor local que preferiu não se identificar.

"Inverno a Verão": A Promessa que Ficou no Papel

O descontentamento ganha um tom mais ácido quando os moradores relembram as promessas políticas que ecoaram na região nos últimos anos. O slogan de que as vias seriam "totalmente trafegáveis de inverno a verão" hoje soa como uma ironia amarga.

Nos bastidores da comunidade, o sentimento é de que a propaganda não condiz com o chão de terra. Entre os moradores, circula o comentário irônico de que as autoridades "fizeram em 5 anos o que não fizeram em 20" uma referência direta às promessas de campanha que, segundo eles, "entraram goela abaixo", mas não resultaram em asfalto ou piçarra de qualidade.

"A gente ouve que os ramais estão prontos para o ano todo, mas na primeira chuva o carro atola e na seca a ponte some. Onde está esse investimento?" Questionamento comum entre os moradores da região.

Impactos Diretos na Comunidade

Os problemas de infraestrutura no Ramal da Galiléia geram um efeito cascata de prejuízos:

Educação: Dificuldade para o transporte escolar chegar às residências.

Saúde: Impedimento para ambulâncias em casos de urgência.

Economia: Perda de produtos agrícolas que não conseguem sair para os mercados da capital.

O Outro Lado

Até o fechamento desta edição, os órgãos responsáveis pela manutenção de ramais e infraestrutura rural não haviam enviado um cronograma detalhado sobre a reconstrução das pontes removidas ou sobre novos planos de recuperação para a área da Vila Acre.

Enquanto as respostas oficiais não chegam, o povo da Galiléia segue aguardando que a "terra prometida" das propagandas se transforme, finalmente, em estrada de verdade.


Postar um comentário