Enquanto o centro da cidade recebe investimentos e novas estéticas, a periferia de Rio Branco agoniza com a falta de infraestrutura básica e o descaso do poder público.

RIO BRANCO – O contraste é nítido e doloroso. De um lado, o asfalto novo e a iluminação moderna das áreas centrais da capital. Do outro, o cenário de guerra da Travessa Pelegrino, no bairro Recanto dos Buritis. O que deveria ser uma via de trânsito tornou-se o símbolo máximo da negligência: uma rua completamente interditada pela própria lama e por crateras que, após as chuvas, mais parecem açudes.

Um "Açude" de Lama no Meio da Rua

A situação da travessa atingiu um ponto crítico. Os buracos se fundiram, acumulando água barrenta e impedindo a passagem de qualquer veículo. Até para os pedestres, o trajeto é um desafio de equilíbrio e paciência. "Não passa carro, não passa ambulância e nem o caminhão do lixo. Estamos ilhados no meio da cidade", desabafa um morador que prefere não se identificar.

O cenário de abandono traz riscos que vão além da mobilidade:

Saúde pública: A água parada nos "açudes" de lama é criadouro para mosquitos.

Segurança: A dificuldade de acesso impede o patrulhamento policial e o socorro de emergência.

Economia local: Pequenos comércios na via veem suas vendas despencarem pela falta de clientes.

O Contraste do Investimento

A indignação da comunidade se alimenta da percepção de desigualdade. Enquanto as máquinas da prefeitura trabalham em ritmo acelerado em praças e avenidas do Centro, os bairros periféricos parecem ter sido esquecidos no cronograma de obras.

"É como se existissem duas cidades. Uma para quem passa pelo centro e outra para nós, que pisamos na lama todo dia para ir trabalhar. O povo pede socorro, mas parece que o nosso grito não chega lá no gabinete", afirma outra moradora da localidade.

O Grito por Intervenção

Os moradores do Recanto dos Buritis não pedem luxo, mas dignidade. A reivindicação é clara: uma intervenção imediata que retire a travessa do isolamento. O sentimento de "retratado do abandono" resume uma periferia que pena pela ausência de políticas públicas eficazes e que se cansou de promessas não cumpridas.



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