Ciborgue

As penas somadas ultrapassam 60 anos de reclusão; crimes envolveram tortura e emboscadas em ramais da capital acreana.

O Tribunal do Júri de Rio Branco proferiu, nesta semana, a sentença de dois homens envolvidos em homicídios que chocaram a região do Segundo Distrito em 2023. Lucas Cauã de Lima Oliveira, o “Ciborgue”, de 20 anos, foi condenado a 25 anos de prisão. Já o mandante dos crimes, Josivanio, conhecido como “Metal”, recebeu uma pena ainda mais severa: 35 anos de reclusão.

O Perfil do Executor

Lucas “Ciborgue” já era monitorado pela Justiça, mas rompeu a tornozeleira eletrônica antes de ser recapturado no início de 2025. No momento de sua última prisão, no Ramal Bom Jesus, ele foi flagrado com drogas e munições. As investigações o apontaram como o braço executor de uma série de crimes dolosos contra a vida sob ordens de "Metal".

Relembre os Crimes

A condenação baseou-se em dois episódios de extrema violência ocorridos no segundo semestre de 2023:

Caso Maylon (Agosto/2023): Maylon de Oliveira Ferreira, de 22 anos, foi encontrado morto no Ramal Carapanã com sinais explícitos de crueldade. A perícia confirmou que a vítima teve os braços amarrados e sofreu tortura antes de ser executada com cinco tiros (um na cabeça, dois nas costas e dois no peito).

Caso Ricardo (Setembro/2023): Pouco mais de um mês depois, Ricardo Leite de Araújo, de 47 anos, foi executado no Ramal Bom Jesus. A vítima, que enfrentava dependência química, também foi atingida por cinco disparos de arma de fogo.

A Decisão

De acordo com os autos, Josivanio ("Metal") foi identificado como o mentor intelectual, utilizando sua influência para ordenar as execuções. O júri popular acatou as teses da acusação, considerando a gravidade das circunstâncias e a periculosidade dos envolvidos.

Josivanio já havia sido citado anteriormente em um caso de grande repercussão no Acre. Em 2013, ele foi acusado e preso por participação no assalto e sequestro do ex-deputado estadual José Bestene, em Rio Branco, crime que ganhou destaque na imprensa na época.

Nota Jurídica: Apesar da condenação imediata pelo Conselho de Sentença, a legislação brasileira ainda permite que as defesas dos réus recorram da decisão em instâncias superiores para tentar a redução das penas.


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