RIO BRANCO – No início da noite desta sexta-feira (20), a Prefeitura de Rio Branco entregou oficialmente o Elevado Mamedio Bittar. A obra, localizada em um dos pontos nevrálgicos da capital acreana, passa a compor, junto ao Elevado Beth Bocalom, um complexo viário desenhado para desafogar o trânsito em uma das regiões de maior fluxo de veículos da cidade.
A cerimônia contou com a presença de autoridades locais e celebrou a conclusão de uma etapa importante do plano de mobilidade urbana da gestão municipal. Segundo a prefeitura, a integração das duas estruturas deve reduzir drasticamente o tempo de espera nos semáforos e melhorar o escoamento entre os bairros da zona central.
O "Cinturão de Asfalto" e as Vozes da Periferia
Apesar do tom festivo na inauguração, o evento ocorre sob uma sombra de descontentamento vinda das áreas mais afastadas do centro. Enquanto o asfalto novo e a iluminação moderna brilham nas "partes nobres" da cidade, moradores de bairros periféricos denunciam um cenário de abandono e agonia.
"É bonito de ver a ponte nova no centro, mas aqui no bairro a gente ainda pisa na lama para ir trabalhar. Parece que a cidade termina onde começa o asfalto liso", afirma um morador da Regional do Baixada, que preferiu não se identificar.
As críticas que ecoam nas redes sociais e em associações de moradores apontam para uma disparidade de investimentos:
Região Central: Recebe obras de arte especiais (elevados), recapeamento completo e sinalização tecnológica.
Periferias: Enfrentam buracos crônicos, falta de saneamento básico e vias que se tornam intransitáveis durante o período de chuvas.
Mobilidade para quem?
Especialistas em urbanismo alertam que a
concentração de grandes obras em centros expandidos pode reforçar a segregação
espacial. O desafio da gestão municipal agora é provar que o desenvolvimento
não ficará restrito ao "eixo nobre", equilibrando a balança entre a
modernização viária e o atendimento digno às comunidades que hoje se sentem
esquecidas.



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