Durante reunião realizada
na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), nesta terça-feira (17),
parlamentares e produtores rurais discutiram temas estratégicos para a economia
do estado, como o rastreamento do gado, a regularização fundiária e a revisão
dos módulos fiscais. O encontro ocorreu após solicitação do deputado Tanízio Sá
(MDB), presidente da Comissão Agrária, que fez a abertura dos trabalhos e, em
seguida, passou a palavra ao representante dos produtores, o ex-deputado
Geraldo Pereira.
Ao iniciar sua fala,
Geraldo Pereira destacou que os assuntos tratados não dizem respeito apenas ao
setor produtivo, mas a toda a economia acreana. Segundo ele, há uma visão
equivocada ao tratar essas pautas como interesse exclusivo dos produtores
rurais. “Esse não é um assunto apenas dos produtores rurais, é um assunto do
estado do Acre. Quando se cria essa divisão entre quem é da cidade e quem é do
campo, a gente enfraquece o debate e dificulta a solução dos problemas”,
afirmou.
O ex-deputado pontuou que
a reunião tratava, na prática, de quatro temas centrais: a rastreabilidade do
rebanho bovino; a decisão do Supremo Tribunal Federal que derrubou a lei
estadual sobre regularização de áreas em florestas públicas; a necessidade de
revisão dos módulos fiscais no Acre; e a inclusão dessas pautas nos planos de
governo dos futuros candidatos ao Executivo estadual.
Sobre o rastreamento do
gado, ele alertou para os impactos que a medida poderá gerar, especialmente
diante da falta de regularização fundiária em diversas áreas do estado. Já em
relação à decisão do STF, destacou que a derrubada da lei estadual agravou a
insegurança jurídica enfrentada por produtores que ocupam áreas em florestas
públicas.
Outro ponto central foi a
revisão dos módulos fiscais, especialmente nos municípios de Rio Branco,
Bujari, Capixaba e Porto Acre. Geraldo Pereira explicou que há uma distorção
que prejudica os produtores dessas regiões. “Em muitos municípios do Acre, o
módulo fiscal é de 100 hectares, permitindo a regularização de até 400 hectares.
Mas nesses municípios citados, o módulo é de 70 hectares, limitando a regularização
a 280 hectares”, detalhou.
O produtor ressaltou que
essa diferença se torna ainda mais prejudicial diante das restrições
ambientais, que permitem o uso de apenas 20% da área. “Estamos deixando de
utilizar cerca de 120 hectares de terras produtivas por conta dessa limitação.
Isso precisa ser revisto com urgência”, enfatizou.
Geraldo Pereira também
cobrou que a Assembleia Legislativa acompanhe mais de perto essas pautas,
especialmente por meio da Comissão de Agricultura, e defendeu que o parlamento
exerça seu papel político junto ao governo federal. Ele sugeriu que seja feita
uma solicitação ao Incra para revisão dos módulos fiscais no estado.
Além disso, pediu que todas
as demandas apresentadas sejam incorporadas aos planos de governo dos futuros
candidatos ao Executivo estadual, garantindo compromisso político com a
resolução dos problemas. “Não queremos que isso fique apenas no debate.
Queremos que os candidatos assumam a responsabilidade de enfrentar essas
questões”, afirmou.
Ao final, o produtor
reforçou a necessidade de união entre parlamentares, governos e setor produtivo
para enfrentar os desafios e garantir o fortalecimento da economia acreana.
Posicionamento dos
parlamentares
O deputado Edvaldo
Magalhães (PCdoB), defendeu na ocasião, a construção de soluções conjuntas
entre o parlamento, o governo e o setor produtivo, destacando que “quando se
abre o pacto do diálogo, se encontra um ponto de equilíbrio”. Ao tratar da rastreabilidade, ele alertou
para a necessidade de planejamento e antecipação, afirmando que “a gente
precisa acender esse sinal e discutir isso com antecedência”.
O parlamentar propôs
ainda a criação de um grupo de trabalho com representantes do governo,
produtores e órgãos envolvidos para garantir segurança jurídica no cumprimento
das exigências. Ele também enfatizou a importância de avançar na regularização
ambiental, defendendo que “a compensação está prevista na legislação e precisa
ser utilizada”.
Ainda durante o debate, o
deputado Luiz Tchê (PDT), ressaltou a necessidade de enfrentar a insegurança
jurídica no setor produtivo, com base na experiência adquirida à frente da
Secretaria de Produção, destacando que “a insegurança jurídica é um negócio
desastroso” e afeta diretamente quem está na ponta produzindo. Ao abordar a
rastreabilidade, chamou atenção para falhas no cadastro do rebanho e defendeu
como primeiro passo a regularização sem custos para os produtores, afirmando
que “a gente precisa regularizar isso, com custo zero para o produtor e a
produtora rural”.
O deputado também alertou
para os impactos nas áreas de reserva, ponderando que, sem soluções viáveis,
produtores podem ser levados à informalidade “se continuar do jeito que está,
pode virar um problema maior, porque o produtor precisa sobreviver”, disse.
Para finalizar Tchê reforçou a importância de enxergar toda a cadeia produtiva
como integrada, desde o pequeno produtor até os frigoríficos.
Ao final da reunião, o
deputado Tanízio Sá propôs uma articulação institucional para tratar de forma
concreta as demandas apresentadas, destacando que o primeiro passo será a
realização de uma reunião técnica com o Ministério Público, incluindo o
Ministério Público Ambiental, e demais órgãos envolvidos, antes da convocação
de audiência pública. Segundo ele, a estratégia é alinhar previamente os
entendimentos institucionais para, em seguida, ampliar o debate com
associações, representantes da agricultura e demais interessados. “Nós vamos
organizar essa reunião com os órgãos competentes, discutir primeiro
internamente e depois chamar os produtores e as entidades. O objetivo aqui não
é apenas ouvir desabafos, mas construir soluções práticas que realmente tragam
resultado”, afirmou.
O parlamentar também
enfatizou que a principal preocupação está na definição de encaminhamentos
efetivos, sobretudo quanto à regulamentação e ao cumprimento de prazos
relacionados às exigências impostas ao setor. Tanízio Sá defendeu ainda, a
possibilidade de buscar a prorrogação dos prazos atualmente previstos, como
forma de garantir maior segurança aos produtores. “Essa etapa final é a mais
importante, porque é ela que vai definir se teremos avanços ou não. Precisamos
sair daqui com encaminhamentos claros. Vamos discutir a regulamentação com os
órgãos de governo e com a Comissão de Agricultura, abrindo espaço para todos
que queiram contribuir. Só depois disso é que a fiscalização deve ocorrer,
baseada em regras bem definidas”, concluiu.


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