ACRE – A principal artéria que liga a capital do estado ao Vale do Juruá, a BR-364, voltou a ser alvo de pesadas críticas por quem depende da rodovia para trabalhar. O que deveria ser uma estrada federal pavimentada tem apresentado condições tão precárias que motoristas já comparam o trajeto a ramais de terra batida.
"Não é mais rodovia,
é ramal"
Em vídeos e relatos que
circulam nas redes sociais, condutores mostram veículos atolados, crateras que
ocupam as duas faixas e trechos onde o asfalto simplesmente desapareceu.
"A gente sai de Rio
Branco com destino a Cruzeiro do Sul sem saber se chega. Tem trecho aqui que
não dá nem para chamar de estrada. Tá parecendo ramal de seringal, daqueles que
só passa trator", desabafou um motorista de transporte de cargas que
preferiu não se identificar.
Os Principais Gargalos
O trecho mais crítico compreende as proximidades de Tarauacá e Sena Madureira. Com o rigor do período de chuvas na Amazônia, o solo encharcado cede, transformando os buracos em armadilhas de lama.
Aumento de Custos: O
tempo de viagem, que antes levava cerca de 10 a 12 horas, tem dobrado em alguns
casos.
Danos Mecânicos: Quebra
de suspensão, pneus estourados e eixos rompidos são prejuízos diários para os
caminhoneiros.
Abastecimento: A
precariedade da via gera o temor de desabastecimento de produtos essenciais e
encarecimento do frete no Vale do Juruá.
O que dizem as
autoridades
Historicamente, a BR-364
sofre com a instabilidade do solo acreano e a falta de manutenção preventiva
robusta. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) tem
realizado operações de "tapa-buracos", mas os usuários afirmam que as
medidas são paliativas e não resistem à primeira chuva forte.
Enquanto soluções
definitivas de engenharia não saem do papel, os motoristas seguem em um
exercício de paciência e perícia ao volante, enfrentando a
"estrada-ramal" que isola, na prática, o interior do estado.

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