Moradores do bairro recorrem a entulho e mutirões próprios para garantir o direito básico de ir e vir, enquanto a Prefeitura brilha por sua ausência.
O vídeo que circula nas
redes sociais nesta semana não é apenas um registro de ruas esburacadas; é um
atestado de falência da gestão pública no bairro Calafate. As imagens, gravadas
por uma internauta indignada, revelam uma realidade que beira o medieval:
cidadãos sendo obrigados a pavimentar a própria rua com restos de construção para
que a vida não pare de vez.
No Calafate, quem governa não é o prefeito, mas a solidariedade forçada pelo desespero. Diante da ausência de máquinas da prefeitura — que, segundo relatos, não dão as caras na região "há tempos" — o cenário é de guerra. O vídeo mostra o esforço hercúleo de vizinhos e até do patrão de moradores locais, que se uniram para espalhar entulho em uma tentativa desesperada de tapar crateras que engolem pneus e esperanças.
“Tenham misericórdia de
nós!”, clama um morador no vídeo, em um desabafo que mistura cansaço e
humilhação.
A situação ultrapassou o
limite do incômodo estético. Hoje, o Calafate sofre um bloqueio logístico.
Veículos de entrega, serviços de transporte por aplicativo e até veículos de
emergência encontram barreiras intransponíveis em lamaçais e valas abertas.
O que se vê é um efeito
cascata de negligência:
Saúde em risco: Idosos e
pessoas com mobilidade reduzida estão confinados em suas casas.
Economia local ferida:
Comerciantes e trabalhadores perdem mercadorias e dias de serviço pela
impossibilidade de tráfego.
Dignidade ferida: O
cidadão paga seus impostos para receber, em troca, a responsabilidade de fazer
o trabalho da Secretaria de Obras.
O Silêncio das Máquinas
A pergunta que fica no ar, e que ecoa em cada respingo de lama nas calçadas do bairro, é: onde está o cronograma de manutenção da cidade? Enquanto a propaganda oficial muitas vezes foca em áreas centrais e "vitrines" urbanas, o Calafate parece ter sido apagado do mapa da administração.
Não se trata de pedir um favor. O acesso a vias seguras é um direito constitucional. Ver trabalhadores braçais e empresários locais manejando enxadas para garantir o mínimo de mobilidade é a prova viva de que, para a prefeitura, o Calafate hoje é terra de ninguém.

Enviar um comentário