RIO BRANCO – Neste domingo, 18 de janeiro de 2026, o Calçadão da Gameleira tornou-se o palco de uma dualidade marcante. Enquanto centenas de curiosos se aglomeravam para observar a força do "Rio Majestoso", famílias em áreas mais baixas vivem horas de aflição com o avanço das águas, que já começam a invadir residências e transformar a rotina em um cenário de transtornos e perdas.

Para muitos que compareceram ao centro histórico hoje, o Rio Acre cheio é um evento visual. A força da correnteza atrai olhares e registros em celulares. No entanto, o que é entretenimento para o visitante do calçadão é motivo de insônia para o morador ribeirinho. Com o nível do rio subindo, o mobiliário precisa ser erguido e o medo de perder o que se levou anos para conquistar se torna a única certeza.

Desrespeito às Normas da Marinha

Um ponto crítico observado neste domingo é a segurança fluvial. Apesar da proibição expressa da Marinha do Brasil, que veta o uso de motos aquáticas (jet skis) no trecho da Gameleira devido à proximidade com as bases da ponte e ao risco potencial de acidentes durante a cheia, a regra tem sido ignorada.

Foi sancionada pela prefeitura de Rio Branco, a lei que proíbe o uso recreativo de motos aquáticas e lanchas no Rio Acre durante cheias. A normativa de nº 2.585, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), estabelece ainda uma multa de quase R$ 5 mil em caso de descumprimento.

A publicação diz ainda que a proibição ocorre a partir do momento em que o nível do Rio Acre atingir a cota de alerta para inundações, que é 13,50 metros. Quem descumprir a lei poderá receber as seguintes sanções:

Multa administrativa no valor de R$ 4.970,56; e

Retenção da embarcação utilizada na infração.

Se a infração for cometida durante situação de emergência ou de calamidade pública, seja ela decretada pelo município ou o governo, a multa será dobrada.

Ainda conforme a publicação, são excluídas da multa 'embarcações utilizadas por órgãos públicos, organizações não governamentais ou voluntários devidamente autorizados, desde que empregadas em ações de resgate, assistência ou prestação de serviços essenciais às comunidades atingidas pelas enchentes'.

"A proibição não é apenas burocrática, é de segurança. O fluxo do rio está muito rápido e há muitos detritos (galhos e balseiros). A movimentação de veículos recreativos nesse trecho coloca em risco não só os condutores, mas as embarcações de socorro", afirmou uma fonte ligada à fiscalização.

Mesmo com as regras, o desrespeito às normas foi registrado por quem passava pelo local, gerando críticas de moradores que veem na atitude uma falta de empatia com o momento de crise enfrentado pela cidade.

Os transtornos já são visíveis em diversos bairros. Além da invasão da água, o refluxo de bueiros e a interrupção de vias de acesso isolam comunidades. A Defesa Civil segue monitorando o nível do rio minuto a minuto, enquanto o número de famílias atingidas cresce proporcionalmente à régua de medição.

Vídeo:


Postar um comentário