Na Bolívia, uma disputa
silenciosa, mas crescente, pelo controle de recursos extrativistas está
transformando a pacata paisagem da Comunidade Camacho, situada às margens do
Rio Madre de Deus, no coração da Reserva Nacional de Vida Silvestre Amazônica
Manuripi. O foco do conflito é a coleta da castanha conhecida localmente como
"Camacho", uma espécie não nativa que se tornou o centro de um embate
sobre posse de terra e legalidade ambiental.
Segundo relatos colhidos
com moradores da região, a área onde se localizam os castanhais é reconhecida
fisicamente como patrimônio da comunidade. No entanto, o usufruto desses
recursos tem gerado revolta: uma única família local estaria concentrando a
atividade de coleta e comercialização sem possuir as devidas licenças emitidas
pela administração da Reserva Manuripi ou pelas autoridades ambientais
competentes.
"A terra é da
comunidade, mas o benefício não está chegando para todos. Existe uma exploração
que ignora as regras de manejo da reserva", afirmou um morador que
preferiu não se identificar por medo de represálias.
A Reserva Manuripi é uma
área de proteção rigorosa, onde qualquer atividade extrativista deve seguir um
plano de manejo aprovado pelo SERNAP (Serviço Nacional de Áreas Protegidas). A
introdução ou exploração de espécies não nativas, como é o caso da castanha
Camacho nesta zona específica, exige um monitoramento ainda mais estrito para
evitar o desequilíbrio do ecossistema local.
Até o momento, as
informações indicam que:
A família em questão não
apresentou documentos que comprovem a concessão para exploração comercial.
A comunidade reivindica
que a gestão do recurso seja coletiva ou que a exploração seja interrompida até
a regularização.
A fiscalização enfrenta
desafios logísticos para monitorar as margens remotas do Rio Madre de Deus.
Riscos de Confronto
O clima na Comunidade
Camacho é de alerta. Sem uma intervenção direta das autoridades para mediar a
posse e o direito de uso da terra, o risco de confrontos físicos entre os
"camareiros" (coletores) e a família dissidente aumenta a cada safra.
Os residentes pedem uma auditoria urgente sobre quem detém os direitos de
extração e a aplicação imediata das leis que regem a Reserva Manuripi.
O que dizem as
autoridades?
Nossa redação entrou em contato com a administração da Reserva Manuripi para verificar se há processos de sanção em curso ou se existe algum plano de manejo que autorize a atividade da família mencionada, mas ainda aguarda resposta.

Enviar um comentário