BRASÍLIA – O Tribunal
Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) confirmou a decisão que obriga a União a
indenizar a ex-presidente Dilma Rousseff em R$ 400 mil por danos morais. A
sentença refere-se às perseguições políticas, prisões ilegais e sessões de
tortura sofridas por Dilma durante o regime militar (1964-1985).
A decisão colegiada
ratifica o entendimento de que o Estado brasileiro deve ser responsabilizado
pelas graves violações de direitos humanos cometidas contra a ex-mandatária no
início da década de 1970, quando ela era militante da resistência contra o
governo militar.
O pedido de indenização
fundamentou-se em episódios de extrema violência ocorridos enquanto Dilma
esteve sob custódia de órgãos de repressão, como o DOI-CODI. O processo
detalhou:
Prisões Ilegais:
Detenções sem o devido processo legal em São Paulo, Rio de Janeiro e Juiz de
Fora.
Violência Física e
Psicológica: Relatos de espancamentos, choques elétricos e isolamento
prolongado.
Perseguição Política: O
cerceamento de direitos civis e o impacto duradouro das agressões sofridas
durante a juventude.
O Entendimento do
Tribunal
Ao acolher o pedido, o
TRF-1 destacou que a reparação por danos morais em casos de tortura cometida
por agentes do Estado é imprescritível. Isso significa que, independentemente
do tempo decorrido, o direito à dignidade da pessoa humana e a busca pela
verdade histórica permitem a compensação financeira.
A defesa da ex-presidente
argumentou que o valor estabelecido busca não apenas compensar a vítima, mas
também reafirmar o compromisso do Estado democrático com a memória e a não
repetição de tais práticas.
Em maio deste ano, a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania também aprovou por unanimidade o pedido de Dilma para ser reconhecida como anistiada política, em razão das violações de direitos humanos que sofreu durante a ditadura militar.
Em decorrência do reconhecimento da Comissão de Anistia, também foi determinado que a ex-presidente receba uma indenização, em parcela única, de R$ 100 mil — o teto nesses casos.
A ex-presidente também já recebeu
indenização por anistia de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande
do Sul, estados em que foi torturada. A soma foi de R$ 72 mil.

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