Uma cena emblemática e vergonhosa resume, de forma escancarada, a atual gestão da Prefeitura de Rio Branco no bairro Cidade do Povo. O que no papel deveria ser uma rua pavimentada, com infraestrutura digna para os moradores, na prática se transformou em um verdadeiro ramal de barro, buracos e isolamento.

A situação chegou a um ponto tão crítico que assistir à rotina do transporte público e escolar na região virou um teste de paciência e indignação. Recentemente, flagrantes de um ônibus escolar tentando transitar pelo local evidenciaram o tamanho do descaso: o veículo precisou fazer manobras arriscadas, "atalhando" por desvios improvisados para não atolar, colocando em risco a segurança e dificultando drasticamente a rotina dos profissionais da educação e dos estudantes.

O Retrato da Gestão na Periferia

O cenário na Cidade do Povo não é um caso isolado, mas sim o reflexo de como a atual administração municipal tem tratado as periferias de Rio Branco. Enquanto discursos oficiais pintam uma cidade em constante asfalto e modernização, a realidade que bate à porta do cidadão da periferia é a de ruas completamente intrafegáveis.

"É uma vergonha. A gente vê o ônibus escolar sofrendo para passar, os professores tendo que fazer malabarismo para chegar à escola e os nossos filhos correndo risco. Isso aqui não é uma rua de capital, é um ramal abandonado dentro da cidade", desabafa um morador que preferiu não se identificar.

Impacto Direto na Educação

A falta de infraestrutura básica ultrapassou o limite do desconforto urbano e se tornou um entrave para o futuro dos jovens. Quando a prefeitura falha em garantir o direito de ir e vir, ela afeta diretamente:

Professores e servidores administrativos enfrentam atrasos e o desgaste físico e mental de tentar acessar os locais de trabalho em condições deploráveis.

Estudantes perdem o horário das aulas devido aos atrasos crônicos do transporte, que precisa rodar em velocidade reduzida para evitar acidentes ou quebras.

Veículos da frota escolar sofrem desgaste prematuro e quebras constantes devido aos impactos severos das vias esburacadas, gerando custos de manutenção que saem do bolso do contribuinte.

A Cidade do Povo, que nasceu com a promessa de dignidade habitacional, hoje amarga o esquecimento. A negligência da prefeitura desenha uma linha clara de desigualdade em Rio Branco, onde o asfalto parece ter destino certo, ignorando quem mais precisa de mobilidade.

Até quando as periferias de Rio Branco continuarão reféns de ruas intrafegáveis e de uma gestão que assiste, de braços cruzados, ao transporte escolar atolar no descaso? A população exige respostas  e, acima de tudo, máquinas na rua e asfalto de verdade.

O espaço segue aberto para o posicionamento da Prefeitura de Rio Branco e da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Seinfra).



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