CRUZEIRO DO SUL (AC) – A
Assembleia Legislativa do Acre (ALEAC) inicia nesta sexta-feira (26) uma sessão
solene em homenagem ao Dia Nacional do Café. O evento, requerido pela Mesa
Diretora, ocorre no Teatro Náuas, em Cruzeiro do Sul, sob a presidência do deputado
e secretário-geral da Casa, Luiz Gonzaga. A solenidade tem como principal
objetivo homenagear os produtores e as instituições que impulsionam o setor
cafeeiro, que hoje vive um momento de forte expansão e destaque tanto no
cenário estadual quanto no nacional.
De acordo com o deputado
Luiz Gonzaga, o reconhecimento público é mais do que merecido diante do impacto
social e econômico da atividade.
"Isso por si só
justifica a realização desta sessão: para que possamos mostrar o reconhecimento
e a valorização que o Acre tem pelos produtores que estão transformando o café
em um ciclo produtivo forte, e que se alinha às políticas de conservação e
economia sustentável", declarou o presidente da sessão.
O Retrato da Produção:
Força na Agricultura Familiar
A cafeicultura acreana,
fundamentada no cultivo do café robusta amazônico, passa por um salto de
crescimento. Atualmente, o parque cafeeiro do estado ocupa uma área estimada em
1.931 hectares. O grande motor dessa transformação vem do pequeno produtor: mais
de 83% dos cafeicultores locais atuam em propriedades de agricultura familiar
com até 20 hectares.
Os Principais Polos
Produtores do Estado:
Acrelândia: Consolida-se
como o maior polo produtor do Acre, concentrando sozinho cerca de 58% do volume
estadual, além de registrar os maiores índices de produtividade e área
plantada.
Vale do Juruá (Mâncio
Lima e Cruzeiro do Sul): Destacam-se não apenas pelo volume colhido, mas pelo
pioneirismo na industrialização e agregação de valor ao produto final.
Xapuri, Brasiléia e Sena
Madureira: Municípios que vêm ganhando espaço com lavouras qualificadas e a
produção de lotes premiados.
Números Recordes e
Produtividade em Alta
O momento de celebração
coincide com recordes históricos no campo. Dados do Levantamento Sistemático da
Produção Agrícola (LSPA/IBGE) apontam um impressionante aumento de 115,3% na
produção, com a safra atual ultrapassando as 6.600 toneladas de café.
A eficiência técnica também chama a atenção: a produtividade média saltou para 3.443 quilos por hectare, um crescimento de 24,7% em relação ao ano anterior.
Tecnologia,
Cooperativismo e Industrialização
Esse avanço estruturado é
resultado de uma rede de apoio técnico e fomento que envolve diversas frentes:
Ciência no campo: A
Embrapa atua no desenvolvimento de material genético de ponta adaptado à região
amazônica.
Políticas públicas: A
Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) impulsiona o setor por meio da
distribuição de mudas clonais, sistemas de irrigação e capacitação técnica
constante.
Cooperativismo:
Organizações locais, como a Coopercafé no Vale do Juruá, garantem o escoamento
e o beneficiamento seguro dos grãos.
O Marco do Café Premium
Um dos grandes divisores
de águas para a região foi a inauguração do Complexo Industrial da Agricultura
Familiar em Mâncio Lima. Viabilizado em parceria com a Agência Brasileira de
Desenvolvimento Industrial (ABDI), o complexo permite o beneficiamento local e
a produção de café de padrão Premium, elevando a competitividade do produto
acreano no mercado nacional.
Ao unir inovação
tecnológica com a força da agricultura familiar, o café consolida-se como uma
engrenagem vital para a geração de emprego, distribuição de renda e melhoria da
qualidade de vida em todo o estado do Acre.


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