Diante da confirmação de quatro casos de hantavirose em cidades da Bolívia localizadas na fronteira com a Argentina, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), e do Departamento de Vigilância em Saúde, reforçou nesta quarta-feira, 13, que o estado não registra casos confirmados da doença desde 2013 e mantém vigilância contínua para prevenção e monitoramento da enfermidade.

A intensificação do acompanhamento ocorre após alertas internacionais relacionados à circulação do hantavírus em alguns países da América do Sul. Segundo a Divisão de Vigilância Ambiental da Sesacre, os casos registrados em território boliviano ocorreram nas cidades de Bermejo, Yacuiba e Padcaya, regiões que fazem fronteira com a Argentina e não possuem ligação direta com o Acre.

A hantavirose é uma zoonose viral aguda transmitida principalmente pelo contato indireto com secreções de roedores silvestres infectados. A infecção ocorre, na maioria das vezes, pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva desses animais. Também podem ocorrer transmissões por contato dessas secreções com mucosas, pequenos ferimentos ou mordidas.

Na fase inicial, os sintomas podem se confundir com outras doenças virais e incluem febre, dores no corpo, dor de cabeça e desconfortos gastrointestinais. Em quadros mais graves, a doença pode evoluir para comprometimento respiratório, causando dificuldade para respirar, tosse seca e queda da pressão arterial.

A chefe da Divisão de Vigilância Ambiental da Sesacre, Eliane Alves Costa, reforça que a informação correta e as medidas preventivas são fundamentais para evitar alarmismo e proteger a população.

A Sesacre orienta que, ao apresentar sintomas compatíveis com a doença, especialmente após contato com ambientes infestados por roedores, a população procure imediatamente uma unidade de saúde. O diagnóstico precoce e o atendimento oportuno são essenciais para reduzir complicações.

Entre as principais medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades de saúde estão manter terrenos limpos, evitar acúmulo de entulhos, armazenar alimentos em recipientes fechados e realizar limpezas de galpões, depósitos e paióis utilizando métodos úmidos, evitando levantar poeira. Também é recomendado o uso de equipamentos de proteção, como luvas e calçados fechados, durante atividades em áreas com possível presença de roedores silvestres

O hantavírus manifesta-se de duas formas principais ao redor do mundo, dependendo da região e da espécie de roedor envolvida:

Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH): É a forma registrada no Brasil e em todas as Américas. Ataca o sistema respiratório e o coração.

Síndrome Renal: Mais comum em países da Europa e da Ásia.

No contexto local, o principal transmissor são os roedores silvestres, especialmente os do gênero Oligoryzomys.

Formas de Transmissão

De acordo com o médico da Estratégia de Saúde da Família, Manoel Braga Neto, o perigo reside no contato indireto com o animal. A transmissão ocorre através da inalação de aerossóis formados a partir das secreções dos roedores, como:

Urina

Saliva

Fezes

Como se proteger?

A prevenção é baseada no controle do ambiente e na higiene. A gestão municipal recomenda as seguintes medidas:

Higiene e Ventilação: Manter casas e galpões sempre limpos e bem ventilados.

Controle de Roedores: Evitar o acúmulo de entulhos e restos de alimentos que possam atrair ratos silvestres para perto das residências.

Cuidados na Limpeza: Ao limpar locais que ficaram fechados por muito tempo, é indicado umedecer o chão com água e sanitizante antes de varrer, para evitar a suspensão de poeira.

Busca por Ajuda: Caso apresente sintomas (como febre alta, dores musculares e dificuldade respiratória) após exposição a áreas de risco, o cidadão deve procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima.


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