Em meio aos desafios da Amazônia acreana, onde rios, lama, estiagem e longas distâncias fazem parte da rotina diária, a educação chega a lugares em que muitos acreditariam ser impossível manter uma escola funcionando.

A cerca de 23 quilômetros da zona urbana de Rio Branco, a Escola Ena Oliveira de Paula demonstra o esforço de professores, alunos e do governo do Acre para garantir que nenhum estudante fique sem acesso ao ensino.

A unidade atende estudantes da alfabetização ao ensino médio, em turmas multisseriadas. Atualmente, a escola possui 26 alunos e funciona em uma realidade muito diferente daquela encontrada nos centros urbanos.

Para chegar até a sala de aula, muitos estudantes enfrentam viagens diárias de barco que podem durar até 1h30. No período do verão amazônico, quando o rio baixa e a navegação se torna ainda mais difícil, o trajeto pode ultrapassar 1h45. Grande parte dos alunos sai do porto localizado no Ramal Polo Benfica e inicia a rotina de madrugada.

A rotina também exige esforço dos educadores, que todos os dias enfrentam percursos pelos rios amazônicos para garantir que as aulas sejam ministradas. O professor Raimundo do Nascimento, que atua na escola desde 2018, explica que o trabalho na educação do campo exige dedicação além da função em sala.]

Além do acesso por rio, a escola enfrenta desafios típicos da região amazônica, como as mudanças climáticas, que afetam diretamente o deslocamento, o isolamento geográfico e a dificuldade logística.

Ainda assim, a unidade conta com estrutura que possibilita o funcionamento das atividades, incluindo energia elétrica, água encanada, internet e dormitórios para os professores que moram longe da comunidade.


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