RIO BRANCO – Enquanto o
cenário político da capital acreana ferve com articulações para o governo e o
marketing intenso do programa “Asfalta Rio Branco”, a realidade nas periferias
narra uma história distinta e cruel. No Segundo Distrito, o chamado Beco do
Açaí, no bairro Belo Jardim, tornou-se o símbolo máximo do descaso e da falta
de infraestrutura que castiga quem mais precisa de auxílio do poder público.
Uma Luta em Duas Frentes
Para a dona Raimunda, a
batalha é apenas metade do desafio diário. Paciente da Unacom (Unidade de
Assistência de Alta Complexidade em Oncologia), ela precisa sair de casa
rigorosamente todos os dias para realizar seu tratamento. O que deveria ser um
trajeto de esperança, no entanto, tornou-se um percurso de humilhação.
Cadeirante, ela enfrenta
o "mar de lama" que tomou conta do beco. A situação é tão crítica que
a sua principal ferramenta de mobilidade sucumbiu: sua cadeira de rodas está
completamente quebrada, danificada pelo esforço de transitar em um terreno que
mais parece um lamaçal do que uma via urbana. Sem o equipamento, o direito
básico de ir e vir, vital para quem luta pela vida, lhe é negado.
"É muito sofrimento
para quem já enfrenta uma luta tão grande pela saúde. Ver uma senhora nessas
condições, tendo que ser carregada ou empurrada na lama, é revoltante",
desabafa um morador que preferiu não se identificar.
O Contraste do Palanque
Nos corredores da
política, o discurso é de modernização. Mapas coloridos e projeções de
investimentos milionários preenchem as apresentações oficiais, prometendo uma
cidade "100% pavimentada". No entanto, o contraste entre a propaganda
e o chão batido é gritante:
A Vitrine: grandes
avenidas do centro recebem camadas generosas de asfalto e sinalização moderna.
A realidade: Becos como o
do Açaí sofrem com o que especialistas chamam de "necrose urbana" o
abandono total de vias periféricas que ligam as casas ao acesso a serviços
básicos.
O programa "Asfalta Rio Branco", embora ambicioso no papel, enfrenta o ceticismo de uma população calejada por ordens de serviço que parecem não ultrapassar os limites do centro administrativo.
Um Pedido de Socorro
A situação de Dona
Raimunda não é apenas uma falha de engenharia; é uma falha humanitária. Hoje,
ela precisa de mais do que promessas de campanha. Ela precisa de uma nova
cadeira de rodas e de um caminho que permita que ela lute por sua saúde com o
mínimo de dignidade.
A pergunta que ecoa entre
os moradores do Belo Jardim é uma só: onde está o "Asfalta Rio
Branco" que nunca chegou aos becos da periferia? Enquanto a gestão pública
não trocar o marketing por ações concretas, histórias como a de Dona Raimunda
continuarão a expor a ferida aberta da desigualdade na capital do Acre.
Promessa de campanha do
agora então ex-prefeito:

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