Por Redação GIRO ACREANO
| Rio Branco, AC
22 de abril de 2026
O Terminal Urbano de Rio
Branco amanheceu vazio nesta quarta-feira, 22, sem circulação de ônibus e com
ausência de passageiros, após a decisão dos motoristas de manter a greve total
do transporte coletivo na capital.
A paralisação ocorre
mesmo após a proposta de trégua de 48 horas apresentada pela Prefeitura de Rio
Branco. Em assembleia, os trabalhadores optaram por continuar o movimento,
deixando 100% da frota fora de operação.
O retorno às atividades
após o feriado em Rio Branco não trouxe o movimento esperado às ruas, mas sim
um cenário de desolação e revolta. O sistema de transporte público da capital
acreana enfrenta um esvaziamento crítico das linhas, deixando paradas lotadas e
usuários desamparados em meio ao que muitos já descrevem como um cenário de
"cidade fantasma".
O Drama do Passageiro:
"Ruas Fantasmas"
A drástica redução na
frota de coletivos transformou o cotidiano da população. Sem o cumprimento dos
horários habituais, trabalhadores e estudantes enfrentam esperas intermináveis.
"A gente sai de casa
sem saber se vai conseguir chegar ao trabalho. As ruas estão vazias de ônibus,
mas cheias de pessoas desesperadas sem ter como se deslocar", relata um
usuário no Terminal Central.
A instabilidade
operacional reflete diretamente na economia local, com atrasos sistemáticos e a
necessidade de gastos extras com transportes por aplicativos, pesando no
orçamento das famílias de baixa renda.
O Impasse Financeiro
Enquanto a população
sofre nas paradas, os bastidores do sistema revelam uma crise financeira e
ética. O foco da tensão está na Ricco Transportes, empresa operadora que agora
enfrenta graves acusações trabalhistas.
O impacto direto nos
trabalhadores inclui:
Negativação de nomes
junto aos órgãos de proteção ao crédito (SPC/Serasa).
Cobranças de juros por
atrasos que não foram causados pelos funcionários.
Insegurança financeira em
um momento de crise operacional.
A Prefeitura de Rio
Branco, por meio da RBTRANS, está sendo pressionada a intervir no contrato de
concessão para garantir que a população não continue pagando o preço de uma
gestão financeira deficitária das empresas privadas.
Enquanto as autoridades
não chegam a um acordo, o rio-branquense segue refém de um sistema que, além de
não oferecer mobilidade, agora retém os direitos de quem opera o serviço.




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