SENA MADUREIRA – A subida do nível das águas nos rios acreanos traz consigo um perigo invisível que voltou a fazer vítimas nesta semana. Um barco de transporte de carga naufragou no Rio Iaco, em Sena Madureira, enquanto transportava um rebanho de bois. O incidente acende o alerta para as dificuldades de navegação na região durante o inverno amazônico.

De acordo com relatos de moradores e navegantes que passavam pelo local, a embarcação submergiu rapidamente. Apesar do susto e da perda material, parte dos animais conseguiu nadar até a terra firme. Nas primeiras horas após o acidente, era possível avistar bois isolados em barrancos e áreas de mata às margens do rio, aguardando resgate.

Troncos à Deriva: A Principal Suspeita

Embora as causas oficiais do naufrágio ainda não tenham sido confirmadas por órgãos de fiscalização, a principal hipótese levantada por ribeirinhos é a colisão com troncos de árvores submersos, conhecidos localmente como "paus de resposta".

Durante as cheias, a força da correnteza arranca árvores das margens (o fenômeno das "terras caídas"), lançando grandes toras ao leito do rio.

O risco: Muitos desses troncos flutuam logo abaixo da linha da água, tornando-se invisíveis aos olhos do piloto.

O dano: O impacto pode romper o casco de madeira ou metal, causando vias de água fatais para a estabilidade da embarcação.

"Nesta época, o rio parece calmo por cima, mas por baixo é um campo de batalha. É preciso conhecer cada curva e ter o olho treinado, mas nem sempre a habilidade é suficiente contra um tronco que se move com a força da água", explica um barqueiro da região.

Habilidade à Prova

A navegação nos rios do Acre, como o Iaco e o Purus, exige um conhecimento empírico profundo. No entanto, mesmo para os mais experientes, o período de cheia altera a geografia do rio diariamente. A lama e os detritos reduzem a visibilidade, e o peso excessivo de cargas vivas, como o gado, dificulta manobras de emergência.

Resgate e Prejuízos

Até o fechamento desta reportagem, não havia informações sobre feridos humanos. O proprietário da carga e a tripulação trabalham agora na contagem dos animais e na tentativa de recuperar o que restou da embarcação.

O caso reforça a necessidade de cautela redobrada e do uso de equipamentos de segurança, além de reacender a discussão sobre os limites de carga permitidos para o transporte fluvial em condições climáticas adversas.



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