O governo do Acre
decretou, neste domingo, 5, situação de emergência em seis municípios do
interior do estado em razão da cheia dos rios, que já afeta direta ou
indiretamente mais de 40 mil pessoas. A medida foi oficializada por meio do
Decreto nº 11.865, de 5 de abril de 2026, diante do agravamento das inundações
provocadas pelo alto volume de chuvas nas últimas semanas, impactando
diretamente comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas.
O decreto declara situação de emergência de nível II nos municípios de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro nas áreas atingidas por inundações nas bacias dos rios Envira, Abunã, Purus e Tarauacá. O fenômeno é classificado como desastre natural hidrológico, conforme a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade).
A reunião ocorreu no
Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental
(Cigma), que fica na sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).
Estavam presentes
representantes do Sistema Integrado de Meio Ambiente; secretário de Estado da
Casa Civil, Jonathan Donadoni; da Secretaria de Estado de Assistência Social e
Direitos Humanos (SEASDH), representada pela chefe de Gabinete, Sandra Amorim;
da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Leonardo Carvalho; do Corpo de
Bombeiros Militar, coronel Charles Santos; da Defesa Civil, coronel Carlos Batista;
do Institui de Meio Ambiente, Ivo Pericles, diretor de Licenciamento Ambiental
de Atividades Rurais, Florestais e Fauna; da Secretaria de Estado de
Agricultura (Seagri), Temyllis Silva; da Secretaria de Estado de Saúde
(Sesacre), Ana Cristina Moraes; da Secretaria de Educação e Cultura (SEE); da
Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), Nayara Lessa; da Secretaria
Extraordinária de Povos Indígenas, Francisca Arara; e da Polícia Militar
(PMAC), subcomandante-geral, coronel Kleison Albuquerque.
Dados técnicos que
embasaram a decisão apontam volumes expressivos de chuva nos primeiros dias de
abril, com acumulados de até 280 milímetros em algumas regiões. Além disso, os
principais rios já ultrapassaram ou se aproximam das cotas de transbordamento.
Em Cruzeiro do Sul, por exemplo, o nível do rio atingiu 14,06 metros, acima da
cota de 13 metros. Em Feijó, o rio chegou a 12,34 metros, também acima do
limite de transbordamento.
Representando a governadora do Acre, Mailza Assis, o chefe de gabinete Douglas Jonathan Santiago, destacou que a medida é fundamental para ampliar a capacidade de resposta do Estado.
De acordo com a Defesa
Civil Estadual, além dos municípios incluídos no decreto, outras regiões seguem
em estado de atenção devido à tendência de elevação dos rios. O cenário é
considerado de total atenção, com famílias desalojadas, desabrigadas, além de
prejuízos significativos à infraestrutura, mobilidade e à agricultura de
subsistência.
Com o decreto, a
Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil do Estado do Acre (CEPDC) passa a ter
prioridade no atendimento por parte dos órgãos públicos, podendo mobilizar
recursos humanos e materiais, coordenar ações de socorro, além de autorizar
despesas emergenciais para instalação de abrigos, fornecimento de insumos e
apoio logístico.
A medida também autoriza,
em situações de risco iminente, a entrada forçada em imóveis para resgate de
pessoas e o uso de propriedades particulares, com garantia de indenização em
caso de danos.
O decreto tem validade de
180 dias e reforça a atuação integrada entre Estado, municípios e governo
Federal para minimizar os impactos da cheia. A previsão de chuvas acima da
média nos próximos dias mantém o cenário de alerta, com risco de novas
elevações nos níveis dos rios.

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