RIO BRANCO – O sonho da casa própria para centenas de famílias acreanas está estacionado em um terreno baldio, cercado de burocracia e contradições administrativas. A paralisação de uma área destinada a um importante programa habitacional do estado tornou-se o epicentro de um embate técnico que, na prática, revela uma crise de gestão pública.

O Nó Ambiental: Quem tem a razão?

No centro do conflito está uma divergência técnica fundamental. A Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano (SEHURB) sustenta a tese de que a área em questão não pode ser doada ou utilizada para fins habitacionais, alegando que o terreno está situado em uma Área de Proteção Ambiental (APA).

Contudo, o argumento da secretaria perde força diante do relatório final do Instituto de Meio Ambiente do Estado do Acre (IMAC). O documento do órgão ambiental — que possui a palavra final sobre licenciamentos no estado — afirma categoricamente que não há impedimentos ambientais para a utilização do espaço.

"A obra segue abandonada, sem qualquer avanço concreto, e o cenário reforça a sensação de descaso diante de uma demanda urgente", afirmam lideranças comunitárias que acompanham o processo.

A Sombra da Gestão: A influência de Egleuson Santiago

Além do imbróglio técnico, a condução interna da SEHURB tem gerado desconforto e críticas nos bastidores do governo. O foco das atenções recai sobre Egleuson Santiago, ex-secretário da pasta.

Mesmo após deixar o cargo principal, Santiago foi nomeado como assessor CAS 8 dentro da própria secretaria. Relatos internos e de setores interessados no projeto apontam que ele continua sendo a figura central nas decisões e no fluxo de processos. A presença do ex-gestor como "braço direito" da atual administração levanta questionamentos sobre:

Falta de celeridade: Por que processos com aval do IMAC continuam travados?

Conflito de interesses: Qual o real interesse em não destravar uma obra de tamanha relevância social?

Continuidade de gestão: A permanência de antigos métodos que impedem o avanço das políticas habitacionais.

O Custo Social da Burocracia

Para a população de baixa renda, a disputa de papéis entre SEHURB e IMAC é um luxo que o tempo não permite. O déficit habitacional no Acre é uma ferida aberta, e a paralisação de projetos prontos para execução agrava a vulnerabilidade de famílias que vivem em áreas de risco ou dependem do aluguel social.

Pressão por Desfecho

Com o relatório do IMAC em mãos, movimentos sociais e órgãos de controle começam a elevar o tom da cobrança. A expectativa é que o governo estadual intervenha na pasta para unificar o discurso e priorizar o direito à moradia.

Enquanto a solução definitiva não sai, o canteiro de obras vazio serve como monumento à ineficiência administrativa. A pergunta que fica para os gestores da SEHURB é: até quando a burocracia será usada como escudo para a paralisia?



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