Enquanto a Prefeitura
foca investimentos no centro da capital, famílias da periferia enfrentam o
drama de ver a água invadir suas casas a cada temporal.
Rio Branco, AC – Redação
Giro Acreano
14 de abril de 2026
A cena se repete como um
pesadelo que não tem fim. Basta o céu escurecer e as primeiras gotas caírem
para que o sono dos moradores do bairro Plácido de Castro, na emblemática
região da Baixada da Sobral, desapareça. O que deveria ser apenas uma chuva de
rotina na Amazônia transforma-se em tragédia para dezenas de famílias que, mais
uma vez, viram a água barrenta invadir suas residências.
O Giro Acreano esteve no
local e registrou imagens desoladoras. Sofás, eletrodomésticos e sonhos são
arrastados pela força das enxurradas que não encontram vazão em um sistema de
drenagem ineficiente ou inexistente.
O Abismo entre o Centro e
a Periferia
A indignação da
comunidade é nítida e tem alvo certo: a gestão municipal. A queixa principal é
o contraste entre o cuidado estético dispensado às áreas centrais de Rio Branco
e o abandono sentido nos bairros mais afastados.
"Parece que nós não
existimos. Eles arrumam as praças do centro, pintam as calçadas por onde o
turista passa, mas aqui no Plácido de Castro a gente vive na lama. Toda vez que
chove é o mesmo desespero de levantar móvel e rezar para não perder o que
sobrou", desabafa um morador que preferiu não se identificar.
Falta de Compromisso
Embora a Prefeitura tenha
instalado gabinetes de crise e anunciado a entrega de kits de limpeza em datas
recentes, a população afirma que essas são apenas "medidas
paliativas". O povo não quer apenas sabão e balde; o povo quer
infraestrutura, saneamento básico e o fim dos alagamentos que destroem o patrimônio
de quem já tem pouco.
As imagens que acompanham
esta reportagem são a prova viva da falta de compromisso com o cidadão. Bueiros
entupidos e ruas sem o devido escoamento mostram que a Baixada da Sobral parou
no tempo, enquanto as promessas de campanha parecem ter sido levadas pela
correnteza.
O Giro Acreano continuará cobrando respostas das autoridades competentes. Até quando o povo da periferia será tratado como cidadão de segunda classe?
Giro Acreano – A voz de
quem a prefeitura finge não ouvir.

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