Uma cena registrada na
tarde desta terça-feira (14), no bairro Plácido de Castro, em Rio Branco,
tornou-se o símbolo máximo da fragilidade humana diante da omissão do poder
público. Enquanto a chuva forte transformava ruas em rios de lama, um jovem
cadeirante precisou ser levantado e carregado nos braços por populares para não
ser arrastado pela correnteza ou sucumbir à força das águas. O jovem necessita
do seu direito de ir e vir garantindo para tratar semanalmente sua enfermidade.
As enxurradas deixam a família isolada e o retorno ao lar fica inviabilizado.
A imagem, que circulou em
grupos de moradores, não é apenas um registro de solidariedade, mas um atestado
de falência da infraestrutura urbana nas periferias da capital.
A Fragilidade Exposta
Para quem possui
mobilidade reduzida, o que é um transtorno para muitos torna-se uma barreira
intransponível e perigosa. Sem bueiros eficientes, escoamento planejado ou
pavimentação adequada, o bairro Plácido de Castro revive um drama que se repete
a cada inverno rigoroso.
"É humilhante. A
gente vê que o esforço das pessoas que ajudaram foi lindo, mas ele não deveria
precisar passar por isso. Onde está a acessibilidade? Onde está o direito de ir
e vir dele?", desabafou uma moradora que presenciou o ocorrido.
Promessas de Papel e o
Abandono das Periferias
O cenário atual é fruto
de mais de seis anos de promessas de campanhas eleitorais que nunca saíram do
papel. Projetos de macro-drenagem e saneamento básico são anunciados a cada
ciclo político, mas a realidade das periferias de Rio Branco conta uma história
bem diferente:
Inexistência de Projetos:
Há anos não se vê um plano de engenharia sério para contenção de enxurradas em
pontos críticos da cidade.
Falta de Manutenção: A
ausência de limpeza e ampliação da rede de esgoto agrava o acúmulo de água em
poucos minutos de chuva.
Abandono Geográfico:
Enquanto o centro recebe paliativos, as comunidades periféricas são deixadas à
própria sorte, mergulhadas na lama e no isolamento.
A Hora da Reflexão: O
Povo como Protagonista
A situação no Plácido de Castro levanta um questionamento urgente sobre a responsabilidade do voto e a fiscalização dos nossos representantes. A "limpeza" que a cidade precisa não é apenas nos bueiros entupidos, mas na política local.
Se não houver uma
cobrança efetiva por projetos que priorizem o cidadão comum em detrimento de
obras de fachada, cenas como a deste jovem sendo carregado continuarão a se
repetir, piorando a cada ano com as mudanças climáticas.
O Rio Branco que queremos
não pode ser aquele que afunda nas periferias enquanto os gestores desviam o
olhar. A dignidade de uma pessoa com deficiência não pode depender apenas da
força dos braços de um vizinho; ela deve ser garantida pelo poder público.

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