Enquanto a gestão municipal foca em revitalizações na área central, moradores do Recanto dos Buritis vivem isolados; Travessa Paraíso hoje mais parece um ramal.
RIO BRANCO – Quem caminha
pelas ruas recém-revitalizadas do centro de Rio Branco pode ter a ilusão de que
a capital acreana vive um cenário de "mil maravilhas". No entanto,
basta cruzar as pontes e se afastar do eixo comercial para que a realidade mude
drasticamente. A maquiagem urbana aplicada no coração da cidade não chega às
extremidades, onde o asfalto cedeu lugar ao barro e a dignidade do cidadão
parece ter sido esquecida.
O Caso da Travessa
Paraíso: De Rota de Ônibus a Ramal Abandonado
O exemplo mais
contundente desse descaso encontra-se no bairro Recanto dos Buritis. A Travessa
Paraíso, que outrora foi uma importante linha de ônibus e via de escoamento
para o bairro, hoje é o retrato do abandono.
Atualmente, a via está praticamente intransitável. O que deveria ser uma rua urbana transformou-se em algo que os moradores definem como um "ramal" dentro da cidade. A situação é tão crítica que:
Transporte Público: O
ônibus já não passa mais pelo local.
Acesso Básico: Veículos
de passeio e até serviços de emergência encontram dificuldades severas para
trafegar.
Mobilidade: Crateras e
lama tornam o simples ato de sair de casa uma tarefa hercúlea para os
pedestres.
"Nós pagamos nossos
impostos e o que recebemos em troca? Ruas destruídas e a sensação de que fomos
apagados do mapa da prefeitura. O dinheiro público só serve para o
centro?", questiona um morador que preferiu não se identificar.
O Contraste do Imposto
A crítica central da
população recai sobre a falta de compromisso e equidade na gestão dos recursos.
Existe um sentimento de injustiça ao observar investimentos vultosos em áreas
já estruturadas, enquanto as periferias agonizam com a falta de infraestrutura básica.
O contrato social é
claro: o cidadão paga seus tributos e a prefeitura deve retornar esse
investimento em serviços e obras. Em Rio Branco, porém, esse retorno parece ter
endereço certo, e ele não fica nos bairros periféricos.
O Povo Precisa Acordar
Não se trata apenas de
buracos no asfalto; trata-se de respeito. A ausência do poder público em locais
como o Recanto dos Buritis é uma forma de exclusão social. É necessário que a
população tome consciência de seus direitos e cobre, de forma incisiva, aqueles
que foram eleitos para servir a todos, e não apenas a uma parcela privilegiada
da geografia urbana.
As costas voltadas para o
povo hoje serão o silêncio de amanhã se não houver cobrança. A Travessa Paraíso
é um grito de socorro que a prefeitura finge não ouvir.

Enviar um comentário