Aumento definido pela CMED é o menor registrado nos últimos anos; percentual varia conforme a concorrência de cada categoria de medicamento.

BRASÍLIA – O consumidor brasileiro deve preparar o bolso. A partir desta terça-feira (31), os preços dos medicamentos vendidos em farmácias e drogarias de todo o país podem sofrer um reajuste de até 3,81%. A medida foi oficializada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão vinculado à Anvisa, por meio de resolução publicada no Diário Oficial da União.

Diferente de anos anteriores, o índice de 2026 é considerado moderado, refletindo o comportamento da inflação oficial (IPCA). Segundo o governo federal, este é um dos menores reajustes médios das últimas duas décadas.

Como funciona o reajuste?

O aumento não é linear para todos os produtos. A CMED divide os medicamentos em três faixas de concorrência. Quanto maior a oferta de genéricos para aquele remédio, maior pode ser o teto de reajuste permitido para garantir o equilíbrio do mercado:

Categoria

Nível de Concorrência

Reajuste Máximo

Nível 1

Alta concorrência (ex: genéricos populares) 3,81%

 

Nível 2 Concorrência moderada 2,47%

 

Nível 3 Pouca ou nenhuma concorrência (ex: remédios de alta tecnologia) 1,13%

O aumento é imediato e obrigatório?

Especialistas e órgãos de defesa do consumidor ressaltam que o reajuste não é automático. O percentual divulgado é um "teto", ou seja, o valor máximo que as fabricantes podem subir os preços.

"Cabe agora às farmacêuticas e farmácias decidirem se aplicarão o aumento total, parcial ou se manterão os preços atuais para atrair clientes", explica o setor varejista. Devido à alta competitividade entre grandes redes de drogarias, é comum que o repasse integral demore alguns dias ou seja amenizado por programas de fidelidade e descontos de laboratórios.

Dicas para o consumidor

Para quem faz uso contínuo de medicação, a orientação é a de sempre: pesquisar.

Genéricos: Continuam sendo a opção mais econômica, custando, em média, 35% menos que os de referência.

Farmácia Popular: Itens para diabetes, hipertensão e asma seguem disponíveis gratuitamente ou com grandes subsídios em unidades credenciadas.

Programas de Fidelidade: O uso de CPF para descontos em redes de farmácias pode anular o impacto do reajuste anual.

Produtos como fitoterápicos e homeopáticos não seguem obrigatoriamente essa regra e possuem liberdade de preço maior, dependendo da dinâmica de mercado.

Este reajuste anual é estabelecido pela Lei nº 10.742/2003 e ocorre sempre no final de março, baseando-se na inflação, produtividade da indústria e custos de produção (como energia e câmbio).


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