RIO BRANCO – O calendário
marca o ano de 2026, mas em diversos pontos da capital acreana, a sensação é de
que o tempo parou — ou retrocedeu. O que deveria ser o auge da modernidade urbana
esbarra em uma realidade arcaica e cruel: a política das promessas vazias que,
a cada ciclo eleitoral, pavimenta apenas o caminho da decepção.
O Cenário do Descaso:
Pólo Menino Jesus
O exemplo mais latente
dessa "mentira asfáltica" encontra-se na região do Taquari,
especificamente no Bairro Pólo Menino Jesus. Ali, o asfalto prometido em
palanques e propagandas de TV nunca chegou. No lugar dele, o que se vê é um cenário
de guerra contra a lama.
O impacto mais doloroso
recai sobre o futuro da cidade. Diariamente, crianças são obrigadas a enfrentar
verdadeiros lamaçais para chegar à escola. O uniforme limpo, preparado com
esforço pelos pais, raramente resiste ao trajeto.
"É uma vergonha. Nossos filhos chegam no colégio sujos, com os pés cobertos de barro. O político vem aqui, aperta a mão, promete o asfalto e depois some. É uma mentira esmagadora", desabafa um morador que preferiu não se identificar.
A Política do
"Blá-Blá-Blá"
A indignação da
comunidade reflete um sentimento de cansaço com a falta de palavra dos
gestores. O contraste é nítido: enquanto as áreas centrais recebem atenção, as
periferias são relegadas ao esquecimento, servindo apenas como curral eleitoral
em épocas de votação.
A infraestrutura precária
não é apenas um problema estético ou de mobilidade; é uma questão de dignidade
humana. A falta de saneamento e pavimentação dificulta a entrada de serviços
básicos, como ambulâncias e viaturas de polícia, isolando comunidades inteiras
sob a justificativa de orçamentos que nunca parecem chegar onde o povo mais
precisa.
Um Povo que Cobra
Respostas
Hoje, o que se vê no Pólo
Menino Jesus e em tantas outras periferias de Rio Branco não é apenas lama, mas
a insatisfação de quem não aceita mais palavras vazias e sem moral. A população
exige que a "ganância pelo poder" seja substituída por uma gestão de
compromisso real.
A pergunta que fica
ecoando pelas ruas de terra da capital é: até quando o povo terá que pagar o
preço por promessas que nunca saíram do papel?



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