A Constituição Federal de
1988, no contexto do Direito à Cidade e da função social da propriedade (Arts.
5º e 182), garante indiretamente ruas boas e infraestrutura urbana
(pavimentação, iluminação, saneamento) como parte da dignidade da pessoa humana
e mobilidade segura. O município tem o dever de manter vias públicas.
No entanto, para os moradores
da Rua São Bento, localizada no bairro Recanto dos Buritis, em Rio Branco, o
texto constitucional parece não passar de ficção literária.
Um Cenário de Abandono
O que deveria ser uma via
pavimentada e funcional tornou-se um símbolo do descaso público. A
infraestrutura básica na Rua São Bento é inexistente. Buracos, lamaçal e a
falta de escoamento adequado transformaram a vida dos moradores em um teste
diário de sobrevivência e paciência.
Enquanto o asfalto
deveria garantir o direito de ir e vir, o que se vê é uma rua destruída, onde
veículos têm dificuldade de trafegar e pedestres se arriscam em meio ao entulho
e à precariedade.
Para Onde Vai o Dinheiro
do Povo?
A indignação da
comunidade é alimentada por uma pergunta sem resposta: afinal, para onde está
indo o dinheiro dos impostos? O contribuinte do Recanto dos Buritis paga o
mesmo imposto que o morador das áreas centrais, mas o retorno em serviços públicos
é abismalmente diferente.
A sensação de injustiça é
nítida. Para quem vive ali, a percepção é de que o Brasil se divide em dois:
O Brasil dos Nobres: Onde
bairros privilegiados gozam de asfalto liso, iluminação e saneamento impecável.
O Brasil dos Esquecidos:
Onde o direito só chega se houver "apadrinhamento" político ou se a
rua estiver no mapa da elite.
"A Constituição diz
que somos todos iguais, mas na prática, parece que alguns são 'mais iguais' que
outros", desabafa um morador que prefere não se identificar.
A Política do Privilégio
O contraste entre a
propaganda municipal e a lama na porta de casa revela uma falha estrutural na
gestão pública de Rio Branco. A ausência de obras na Rua São Bento não é apenas
um problema de engenharia, é uma violação de direitos humanos. Negar saneamento
e pavimentação é negar dignidade.
O Recanto dos Buritis
clama por socorro. Até quando o Poder Público fingirá que a periferia de Rio
Branco não faz parte do mapa? Os impostos continuam saindo do bolso do
trabalhador, mas o asfalto, ao que parece, para nos portões dos bairros nobres.

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