A sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, realizada nesta quarta-feira, 10, que tinha como foco a discussão dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, transformou-se em um dos momentos de maior tensão e reprimenda pública já vistos recentemente na Casa.
O senador Márcio Bittar (PL-AC) tentou utilizar a audiência, de alta relevância institucional, como um palanque para a defesa dos indivíduos condenados pelos ataques e vandalismo às sedes dos Três Poderes. Sua postura levou a uma intervenção firme e dura por parte do presidente da CCJ, o senador Otto Alencar (PSD-BA).
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"Carão" e o Enquadramento
A tentativa de Bittar de desviar o foco da discussão para questões de cunho mais político-partidário e de defesa dos réus esbarrou na condução regimental de Otto Alencar. O presidente da comissão, conhecido por sua firmeza, não hesitou em dar um dos maiores "carões" (repreensões públicas) já registrados no plenário.
A bronca de Otto Alencar não apenas retomou a ordem da sessão, mas também serviu como um duro enquadramento regimental e ético ao colega acreano. O presidente da CCJ teria exigido que Bittar se atevesse ao tema central da comissão, impedindo que a audiência se desvirtuasse para um ato de proselitismo em favor dos condenados pelos graves eventos de janeiro.
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Gravidade do Debate
A Comissão de Constituição e Justiça é o colegiado mais importante do Senado e a discussão sobre o 8 de janeiro possui peso institucional significativo. A tentativa de minar a gravidade dos atos ou de transformar a CCJ em um espaço de defesa dos agressores das instituições foi prontamente rechaçada por Otto Alencar, que defendeu a seriedade e o decoro necessários para o debate.
O
episódio desta quarta-feira na CCJ é mais um indicativo do clima de polarização
e tensão que permeia o Congresso Nacional, especialmente em temas relacionados
aos ataques antidemocráticos, e reforça a postura de presidentes de comissões
em garantir o foco e a ordem dos trabalhos.

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