A recente combinação de chuvas intensas e o início do chamado "inverno amazônico" têm imposto um desafio sem precedentes ao sistema de captação e tratamento de água em Rio Branco. Nos últimos 40 dias, a turbidez da água do Rio Acre atingiu níveis alarmantes, prejudicando a produção e forçando a redução do abastecimento na capital.

Em condições normais, com turbidez inferior a 800 NTU (Unidade Nefelométrica de Turbidez), as Estações de Tratamento de Água (ETAs) I e II do Saerb têm capacidade para tratar até 1.600 litros por segundo. A turbidez, medida em NTU, indica o grau de turvação da água, causadas pela presença de partículas em suspensão.

Contudo, desde outubro, os níveis de turbidez têm alcançado índices alarmantes, com picos de até 3.850 NTU em 14 de novembro – o maior registrado desde 2022. Essa situação prolongada tem levado à necessidade de redução da produção de água para garantir a qualidade do abastecimento, chegando, em alguns dias, a cortes de até 30% da produção. Em 18 dos últimos 40 dias, a produção foi reduzida em 20%, passando de 1.600 para 1.280 litros por segundo.

Desde o dia 11 de outubro, a qualidade da água bruta, captada para as Estações de Tratamento de Água (ETAs) I e II do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), deteriorou-se drasticamente. O problema é duplo:

Turbidez Elevada: A turbidez, medida em NTU (Unidade Nefelométrica de Turbidez), é o grau de turvação da água causado por partículas em suspensão (argila, silte e matéria orgânica). Em condições normais, o sistema tem capacidade de tratar a água com turbidez inferior a 800 NTU.

Presença de Balseiros: A enxurrada inicial arrasta grandes volumes de vegetação e detritos, formando os chamados balseiros, que obstruem a captação e danificam os equipamentos.

Picos Históricos e Redução na Produção

A gravidade da situação reside nos picos de turbidez que ultrapassaram em muito a capacidade operacional das ETAs.

Pico Histórico: Em 14 de novembro, foi registrado o maior índice desde 2022, alcançando a marca impressionante de 3.850 NTU.

Capacidade Comprometida: Para garantir que a água tratada atenda aos padrões de potabilidade, as ETAs I e II tiveram que reduzir a produção.

Nota: A capacidade máxima de tratamento das ETAs I e II combinadas é de 1.600 litros por segundo com turbidez normal (abaixo de 800 NTU).

A situação forçou a gestão do abastecimento a realizar cortes significativos. Em 18 dos últimos 40 dias, a produção foi reduzida em 20%, caindo de 1.600 para 1.280 litros por segundo. Em alguns momentos críticos, a redução chegou a 30%.

A série histórica de turbidez no ponto de captação das ETAs I e II mostra claramente a natureza atípica e a intensidade deste evento.

A elevação prolongada dos níveis de NTU exige um esforço maior e mais lento no processo de coagulação, floculação e decantação, etapas fundamentais do tratamento. Essa lentidão é a principal razão para a diminuição da vazão total de água produzida.

O Saerb tem monitorado a situação 24 horas por dia, realizando ajustes constantes nos processos químicos para lidar com a alta carga de sedimentos. A população é orientada a fazer uso consciente da água, especialmente nas regiões mais afetadas pela baixa na produção.

Medidas de Emergência:

Monitoramento Contínuo: Ajuste na dosagem de coagulantes e outros produtos químicos.

Manutenção: Limpeza constante das grades de captação obstruídas pelos balseiros.

Apelo à População: O uso racional é fundamental para evitar o desabastecimento em bairros mais distantes e pontos elevados.

A expectativa é de que, com a estabilização das chuvas, os níveis de turbidez voltem gradualmente aos patamares operacionais, permitindo a retomada da produção em capacidade máxima.


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