Rio Branco, AC – Enquanto o Programa “Asfalta Rio Branco” é celebrado como uma iniciativa para melhorar a infraestrutura viária da capital, moradores da Rua Fares Fegalis, no bairro Boa União, enfrentam uma realidade bem diferente. O que deveria ser a solução para os problemas de suas ruas transformou-se em um novo e incômodo transtorno: o depósito irregular de materiais de construção do programa em um terreno local.

Segundo relatos de residentes ouvidos pela nossa reportagem, o acúmulo de terra, entulho e outros materiais provenientes das obras de pavimentação tem causado uma série de transtornos no dia a dia da comunidade.

Um dos principais problemas, especialmente com a proximidade do período chuvoso, é o barro e a lama que se espalham pela via, trazidos pelo trânsito de veículos e pelas enxurradas. “Quando chove, essa terra toda escoa para a rua. Fica um lodo impossível de andar, sem falar que a água invade as calçadas e até algumas casas”, desabafa Maria da Silva (nome fictício), moradora há mais de 10 anos na Fares Fegalis.

Nos períodos de estiagem, a situação não melhora. O material seco se transforma em uma poeira intensa, que atinge as residências, obrigando os moradores a manterem portas e janelas fechadas. “É poeira o dia todo. Ninguém consegue respirar direito, e a preocupação com problemas respiratórios nas crianças e idosos é constante”, relata o comerciante João de Souza, vizinho do terreno.

O local, que se tornou um canteiro de obras improvisado, estaria sendo utilizado para armazenar diversos tipos de resíduos e insumos do “Asfalta Rio Branco”. A situação tem gerado também preocupações com a proliferação de insetos e animais peçonhentos, além de desvalorizar os imóveis vizinhos.

Os moradores afirmam que não houve comunicação prévia ou autorização formal para que o terreno fosse utilizado como depósito, e as tentativas de contato com a empresa responsável ou com a Prefeitura de Rio Branco, buscando uma solução, têm sido frustradas. Eles clamam por uma atitude imediata das autoridades.

“Nós queremos o asfalto, sim, é um benefício que esperamos há anos. Mas não podemos aceitar que, para arrumar a rua, a gente tenha que conviver com esse lixão particular na nossa porta. A obra não pode gerar um transtorno maior do que o que já existia”, argumenta um líder comunitário da Boa União.

O caso da Rua Fares Fegalis lança luz sobre a necessidade de um planejamento logístico mais cuidadoso nas grandes obras de infraestrutura, garantindo que a execução dos projetos não prejudique a qualidade de vida das comunidades beneficiadas.

O Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC), por meio da Promotoria de Justiça Especializada de Habitação e Urbanismo e Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural, converteu o Procedimento Preparatório nº 06.2025.00000196-0 em Inquérito Civil para aprofundar as investigações sobre transtornos causados pelo depósito de materiais do programa Asfalta Rio Branco em um terreno localizado na Rua Fares Fegali, no bairro Boa União, em Rio Branco.

De acordo com o despacho assinado pelo promotor de Justiça Luís Henrique Corrêa Rolim, o Ministério Público tem a atribuição de instaurar inquéritos civis para proteger o meio ambiente, a ordem urbanística e outros interesses difusos e coletivos. O procedimento foi iniciado após denúncias de impactos negativos à comunidade local em razão do acúmulo de materiais de pavimentação na área mencionada.

O documento destaca que, apesar dos esforços realizados pelo MP-AC para solucionar o problema, a situação permanece sem resolução, o que motivou a conversão do procedimento em inquérito civil, conforme previsto no §6º do artigo 2º da Resolução nº 23/2007 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e no artigo 25, §3º, inciso III, da Resolução nº 28/2012 do Colégio de Procuradores de Justiça do MP-AC.



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