Rio Branco, Acre – Os vereadores de Rio Branco Eber Machado, Fábio Araújo e Neném Almeida, todos do MDB, realizaram, nesta semana, uma blitz de fiscalização na madeireira onde deveriam estar sendo produzidas as casas do programa habitacional "1001 Dignidades", lançado com destaque na primeira gestão do prefeito Tião Bocalom (PL). O projeto, que prometeu a construção de mais de mil moradias populares em tempo recorde, está sendo alvo de severas críticas por parte dos parlamentares de oposição, que apontam descumprimento de promessa, desperdício de dinheiro público e deterioração de material.

A fiscalização, que marcou a primeira ação da chamada "Blitz do MDB", expôs o que, segundo os vereadores, é a prova do fracasso do projeto e do desleixo com o erário. Durante a visita à madeireira, os parlamentares encontraram protótipos de casas paralisados e, principalmente, grande volume de madeira que estaria em estado de decomposição.

Madeira Apodrecendo e Promessas Não Cumpridas

Em plenário, o vereador Fábio Araújo exibiu imagens do material armazenado, denunciando o desperdício. "É madeira que está se desfazendo e virando pó, dissolvendo. Essa é a prova do desperdício com dinheiro público", afirmou.

O programa "1001 Dignidades" foi anunciado com a meta ambiciosa de entregar mais de mil casas populares em um único dia. No entanto, os vereadores questionam a real capacidade de entrega da prefeitura. Segundo Araújo, a prefeitura chegou a anunciar a entrega de 500 casas no ano passado, mas as informações mais recentes do coordenador do programa indicam apenas 300 previstas para este ano, sem uma data concreta de conclusão.

"Prometeram mil e uma casas em um dia, anunciaram 500, agora dizem que são 300. O número muda, mas as promessas continuam sem se cumprir," ironizou o parlamentar.

Outro ponto levantado pelos vereadores é a descaracterização do projeto original, que era divulgado como modelo de sustentabilidade por utilizar madeira de reaproveitamento.

O vereador Eber Machado reforçou as críticas, mencionando os custos operacionais da madeireira alugada. Segundo ele, a Prefeitura paga mais de R$ 25 mil em aluguel e cerca de R$ 100 mil em maquinários para um local onde a madeira está se deteriorando.

Apesar das críticas da oposição, a gestão municipal sustenta que o programa continua ativo. Em resposta às denúncias, o vereador de base Mustafá (que não é um dos vereadores que participou da blitz) tem defendido que o projeto não foi extinto.

A polêmica em torno do "1001 Dignidades" tem se estendido. O representante da Prefeitura, pastor Paulo Machado, rebateu as críticas dos vereadores e explicou que o projeto não foi encerrado. Segundo ele, parte das moradias está sendo pintada e deverá ser entregue em novembro. “A gestão abriu mão dos lotes do ‘1001 Dignidades’ para o programa Minha Casa, Minha Vida. O projeto está ativo, e queremos entregar 500 casas ainda este ano”, afirmou Machado.

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