O governo do Acre, por
meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), recebeu nesta
sexta-feira, 6, na capital acreana, representantes da Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para reunião técnica,
que marca o início da implementação do Programa de Resiliência Socioambiental
nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do Igarapé São Francisco e Lago do Amapá.
No início do ano, a Sema
recebeu doação do governo canadense no valor de cerca de R$ 15 milhões. Os
recursos são destinados ao fortalecimento da governança ambiental, restauração
florestal, segurança hídrica e bioeconomia.
A visita técnica teve
início pela parte da manhã, no Centro Integrado de Geoprocessamento e
Monitoramento Ambiental (Cigma), onde gestores e técnicos da Sema apresentaram
à equipe da Unesco a composição da secretaria, sua atuação, dados referentes às
APAs que serão beneficiadas e o plano de trabalho do programa de resiliência.
O secretário de Estado do
Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, destacou a importância do projeto para o
equilíbrio ambiental.
“Esse é um projeto muito
interessante, onde precisamos dessa multidisciplinaridade para atuar da melhor
forma possível no território e trazer mais recursos para a área de meio
ambiente, e tornar ele mais ecologicamente equilibrado”.
O coordenador de Ciências
Naturais da Unesco no Brasil, Fábio Eon, destacou a importância da iniciativa e
os impactos positivos esperados com a implementação do projeto nas Áreas de
Proteção Ambiental.
“Nesse projeto, em
parceria com o Fundo Amazônia e com o apoio do governo do Canadá, teremos uma
série de ações significativas, desde o fortalecimento da resiliência das
comunidades locais, o desenvolvimento de trilhas de turismo sustentável,
programas de apoio aos brigadistas que atuam na prevenção e mitigação de
incêndios, além do monitoramento hídrico dessas regiões”.
Programa de Resiliência
Socioambiental
A iniciativa inclui ações
voltadas para a conservação ambiental, recuperação de áreas degradadas,
segurança hídrica e alimentar, além da promoção da igualdade de gênero e
fortalecimento comunitário nas APAs do Igarapé São Francisco e do Lago do
Amapá, em Rio Branco. O programa é composto por quatro eixos estratégicos e
será aplicado até o final de 2026.
No eixo da Bioeconomia, o programa incentiva práticas sustentáveis como o extrativismo, a agricultura orgânica familiar e o turismo de base comunitária. A proposta inclui a criação de produtos sustentáveis, manuais técnicos, ações de educação ambiental e apoio a grupos locais para acesso a mercados e geração de renda.
Já o eixo de Restauração
Florestal prevê ações para aumentar a resiliência das comunidades frente aos
impactos das mudanças climáticas. As atividades incluem mitigação de riscos
ambientais, recuperação de áreas degradadas e envolvimento de mulheres na gestão
de riscos e adaptação climática.
No campo da Segurança
Hídrica, o programa promove o reflorestamento e a proteção das sub-bacias do
rio Acre. Além disso, investe em planejamento, educação, tecnologias
sustentáveis e infraestrutura resiliente para fortalecer a capacidade
adaptativa das comunidades locais quanto às mudanças climáticas.
Por fim, o eixo de
Governança aposta na capacitação com enfoque em gênero e interseccionalidade.
As ações envolvem campanhas de empoderamento feminino, programas de
sensibilização para moradores e visitantes e fortalecimento das organizações
comunitárias locais beneficiadas pelo projeto por meio de intercâmbios,
comunicação e capacitação.
Todas as ações têm início
previsto, a partir do primeiro ano de execução e envolvem diretamente as
populações que vivem nas duas APAs, contribuindo para o desenvolvimento territorial
sustentável da região.
O oficial de projetos da
comitiva da Unesco, Sérgio Monforte, destacou o potencial do projeto para a
comunidade das APAs.
“Esse projeto tem um
potencial incrível de implementação dos recursos e melhoria da gestão, além da
participação social dentro das APAs abrangidas pelo projeto. Foi um trabalho
feito dentro da Secretaria de Meio Ambiente considerando diversas linhas de
ação, onde os locais escolhidos pelo governo vão poder mostrar resultados não
somente de conservação ambiental, mas também de desenvolvimento social e
econômico para a população que mora nessas áreas”.
Também integraram a
comitiva, o oficial de projetos Rodrigo Araújo e o consultor Miqueias Santos.
No período da tarde, os representantes da Unesco Brasil estiveram reunidos com lideranças da APA do Lago do Amapá e membros da Associação dos Moradores e Produtores Rurais da Estrada do Amapá (Amprea), e puderam ainda conhecer os brigadistas comunitários da área de proteção e alguns empreendimentos sustentáveis do setor extrativista na região.
O diretor de Meio
Ambiente, Erisson Cameli, destacou a importância da visita técnica na APA do
Lago do Amapá.
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