Os desembargadores da
Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) anularam a sentença que
condenou o ex-sargento da Polícia Militar (PM-AC), Erisson de Melo Nery, a oito
anos de prisão em regime semiaberto pela morte de um adolescente de 13 anos, em 2017, quando
a vítima tentou furtar a casa do sargento.
A decisão acolheu um
recurso impetrado pela defesa de Nery, que foi julgado nessa quinta-feira (29).
Ainda cabe recurso por parte do Ministério Público (MP-AC).
No recurso, os advogados
de Nery alegaram que o MP utilizou provas que não constavam nos autos, e que,
por isso, a condenação não foi justa.
Condenação
Nery havia sido condenado
no dia 23 de novembro do ano passado.
O ex-sargento ainda foi
condenado ao pagamento das custas processuais, já o outro réu foi isento em
razão da absolvição. Nery já respondia ao processo em liberdade, sendo mantido
dessa forma sendo mencionado que "não existem nos autos outros elementos
ou fatos contemporâneos que nos levem a ordenar a custódia preventiva e foi
fixado o regime inicial semiaberto", aponta a decisão.
Na condenação de
homicídio, é citado que a sentença apresentou um aumento de um terço na pena
pelo fato do crime ter sido cometido contra uma pessoa menor de 14 anos.
A decisão cita ainda que
aos 13 anos, a vítima encontrava-se em plena fase de desenvolvimento físico,
psicológico e social e o homicídio além de interromper de forma abrupta e
trágica a possibilidade de reabilitação e reinserção social, trouxe profundas
consequências emocionais à sua família, especialmente à sua mãe.
O caso
Conforme a denúncia, na
manhã do dia 24 de novembro de 2017, Nery matou o adolescente com pelo menos
seis tiros, no intuito de “fazer justiça pelas próprias mãos”. O caso ocorreu
no Conjunto Canaã, bairro Areal, em Rio Branco.
Após o homicídio, ainda segundo a denúncia, Nery e o colega de farda alteraram a cena do crime, lavando tanto o corpo da vítima quanto os arredores do local onde estava caído, para poder alegar que agiu em legítima defesa. O ex-sargento foi ouvido em audiência de instrução em agosto de 2022 na 1ª Vara do Tribunal do Júri.
Em entrevista exclusiva
ao g1, a mãe de Fernando, Ângela Maria de Jesus, relatou a curta trajetória de
seu filho e disse que mesmo Fernando sendo dependente químico, o menino nunca
foi agressivo, não estava armado e tinha porte de criança, não apresentando
perigo ao ex-policial.
g1 AC
Enviar um comentário